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Polícia

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Madrasta e avó de menino morto com sinais de tortura são presas em SP

Pai do garoto já havia sido preso em flagrante; ele confessou que criança ficava acorrentada

14 mai 2026 - 09h04
(atualizado às 10h23)
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Corrente era usada para prender criança dentro de casa, segundo familiares
Corrente era usada para prender criança dentro de casa, segundo familiares
Foto: Reprodução

A madrasta, de 42 anos, e a avó paterna, de 81 anos, de Kratos Douglas, de 11 anos, encontrado morto dentro de casa na Zona Leste de São Paulo, foram presas na noite desta quarta-feira, 13. Ambas foram levadas pela Polícia Civil para o 50º DP, no Itaim Paulista.

As duas mulheres admitiram às autoridades que sabiam que o pai, Chris Douglas, mantinha o menino acorrentado ao pé da cama para “evitar fugas”. O pai foi preso em flagrante na segunda-feira, 11. A madrasta e a avó também são investigadas por suspeita de tortura qualificada, pela morte da vítima.

As defesas dos familiares não foram localizadas para comentar o caso.

Chris Douglas admitiu que colocava uma corrente na perna do filho para evitar que ele fugisse de casa, ao ser interrogado na delegacia. Ele negou que agredisse o filho. Em depoimento, a madrasta contou que vivia há cinco anos com Chris na mesma casa, e que viu o menino ser submetido ao "uso de correntes, colocadas ora pelo pai, ora pela avó".

A madrasta confirmou a versão de Chris, dizendo que o objetivo era evitar fugas, e negou que o companheiro agredisse a criança. A avó não confirmou que ela acorrentava o neto, e disse que quem o fazia era Chris. Ela negou que o gesto fosse um tipo de agressão.

Disse ainda que a criança costumava fugir e que “estava muito magra após ter permanecido fora de casa”, quando conseguiu escapar anteriormente.

As duas mulheres e o homem confirmaram à polícia que as lesões de Kratos eram devido ao uso das correntes.

Entenda o caso

Chris Douglas, de 52 anos, confessou que acorrentava filho de 11 anos no pé da cama para evitar fugas
Chris Douglas, de 52 anos, confessou que acorrentava filho de 11 anos no pé da cama para evitar fugas
Foto: Reprodução

A tortura contra Kratos foi descoberta depois que a própria família ligou para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Corpo de Bombeiros pedindo uma ambulância com equipe médica para socorrer o garoto.

O menino estava passando mal e sem reação, segundo depoimentos. Quando os médicos chegaram à casa, ele já estava morto. Kratos foi encontrado caído ao lado da cama, com marcas de tortura. 

Os socorristas informaram que ele tinha sinais de maus-tratos como hematomas nos braços, mãos e pernas, além de roxeamento nas extremidades e espuma na boca.

Segundo a polícia, há indícios de que a vítima foi submetida a sofrimento físico e mental contínuo, o que levou à classificação do caso como tortura com resultado morte.

Além da corrente, policiais apreenderam computadores, celulares, tablet e cartões de memória. A residência possuía um sistema de monitoramento interno, cujas imagens serão analisadas pela perícia da Polícia Técnico-Científica.

Na terça-feira, 12, a Justiça converteu a prisão em flagrante de Chris Douglas para preventiva. Se for julgado por tortura com morte, o homem pode ficar preso por 16 anos, caso seja condenado.

O 50º DP investiga se a madrasta e a avó tiveram participação no crime. A causa da morte ainda não foi confirmada, e é investigada.

O nome do menino, segundo a polícia, foi inspirado no personagem do jogo "God of War", do qual o pai é fã.

Vizinhos relataram em entrevista à TV Globo que desconheciam a existência do menino, e que o casal tinha outros dois filhos mais novos, que saíam normalmente. No entanto, nunca haviam visto Kratos, e sequer sabiam que ele era mantido acorrentado dentro da casa.

Fonte: Portal Terra
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