Detran-PE: servidores são alvo de operação por suspeita de esquema de fraude
A ação cumpriu cinco mandados de busca e apreensão, além da ordem de prisão e de quatro medidas cautelares. Os funcionários públicos que não foram presos, estão com tornozeleira eletrônica.
Cinco servidores do Departamento Estadual de Trânsito de Pernambuco (Detran-PE) são investigados pela Polícia Civil por suspeita de participação em um esquema de fraude envolvendo o primeiro emplacamento de veículos. A Operação Dupla Identidade foi deflagrada na terça-feira, 28 de julho, e resultou na prisão preventiva de um homem.
A ação cumpriu cinco mandados de busca e apreensão, além da ordem de prisão e de quatro medidas cautelares. Os servidores que não foram presos foram afastados das funções e passaram a utilizar tornozeleira eletrônica. Eles também estão proibidos de frequentar unidades do Detran e Circunscrições Regionais de Trânsito (Ciretrans).
Como funcionava o esquema
De acordo com a investigação, veículos que ainda permaneciam em concessionárias ou até mesmo nas montadoras apareciam no sistema como se já tivessem sido emplacados em Pernambuco.
Para isso, seriam utilizados documentos falsificados, entre eles notas fiscais e procurações. Os papéis traziam números de chassis de veículos que ainda não haviam sido comercializados.
A fraude passava por duas etapas dentro do Detran. Primeiro, um atendente recebia os documentos, fazia a conferência inicial e lançava as informações no sistema. Depois, o processo seguia para o controle de qualidade, responsável por verificar a autenticidade da documentação.
Segundo a Polícia Civil, essa segunda checagem era ignorada ou realizada de maneira irregular, permitindo a conclusão dos registros fraudulentos.
Fraude atingiu oito estados
A investigação começou no início de 2025, depois que casos de veículos com registros indevidos começaram a chegar à Corregedoria do Detran. Um dos episódios envolveu uma prefeitura do Acre, que comprou um automóvel em uma licitação e descobriu, ao tentar registrá-lo, que o chassi já aparecia como emplacado em Pernambuco.
A Polícia Civil identificou ocorrências semelhantes envolvendo pessoas físicas, empresas e órgãos públicos de pelo menos oito estados. Os veículos investigados são considerados de alto valor, com preços médios superiores a R$ 250 mil.
A polícia ainda tenta descobrir como os suspeitos tinham acesso aos números dos chassis antes da venda dos automóveis e qual era o destino dos registros irregulares.
Investigação apura possível pagamento
O único investigado preso preventivamente possui, segundo a Polícia Civil, mais de 18 processos relacionados a fraudes semelhantes. Ele também teria exercido indevidamente as funções de atendente e responsável pelo controle de qualidade.
A corporação apura ainda se havia pagamento aos servidores para a realização dos registros. A suspeita envolve possíveis crimes de corrupção ativa e passiva, além das fraudes já identificadas.
Segundo o delegado Júlio César Pinheiro, da 1ª Delegacia de Combate à Corrupção, a prioridade da operação foi retirar do sistema os servidores apontados como integrantes do esquema e impedir a continuidade das irregularidades.
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