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Indígenas no Mato Grosso do Sul denunciam escalada de violência e ameaças após segundo turno

Organizações cobram apuração rigorosa após o incêndio da casa de rezadeira de 90 anos e áudios com ameaças

31 out 2026 - 15h21
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Resumo
Lideranças indígenas de Mato Grosso do Sul denunciam a escalada de ataques após o segundo turno presidencial, somando mais de 30 episódios violentos, como o incêndio criminoso da casa de uma rezadeira e ameaças de envenenamento da água em Tacuru por servidores municipais. Em resposta, o Ministério Público Federal abriu investigações, enquanto o governo federal instituiu uma força-tarefa com ministérios, Funai e Polícia Federal para conter os crimes e garantir a segurança das comunidades.

Lideranças indígenas do estado do Mato Grosso do Sul seguem denunciando o aumento constante das ameaças e atos de hostilidade contra suas terras após o término do segundo turno do pleito presidencial, ocorrido no domingo (25). De acordo com relatos da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, a residência da rezadeira Ñandesy Roberta, de 90 anos, foi totalmente destruída por um incêndio na aldeia Jaguapiré, localizada no município de Tacuru, durante a manhã desta quinta-feira (29). A entidade indígena apontou que a ação teve caráter criminoso e consumiu instrumentos sagrados de rituais tradicionais dos povos Kaiowá e Guarani, caracterizando uma grave agressão aos direitos fundamentais e à liberdade de culto.

Indígenas no Mato Grosso do Sul denunciam escalada de violência e ameaças após segundo turno
Indígenas no Mato Grosso do Sul denunciam escalada de violência e ameaças após segundo turno
Foto: Valter Campanato / Agência Brasil / Perfil Brasil

Diante do cenário, representantes comunitários divulgaram gravações em plataformas digitais nesta sexta-feira (30) para exigir intervenção estatal urgente, com a manifestação de Voninho Guarani Kaiowá, um dos coordenadores da entidade. "Repudiamos todos estes acontecimentos e cobramos de todas as autoridades [públicas] competentes que nos ajudem investigando as pessoas, para que os responsáveis sejam punidos na forma da lei".

Casos de hostilidade política e investigação contra servidores de Tacuru

A organização indígena contabilizou mais de 30 episódios de agressões no estado associados ao período eleitoral, englobando atropelamentos com mortes, agressões físicas e intimidações verbais. Em uma das ocorrências registradas na cidade de Tacuru, logo após a contagem de votos no domingo (25), áudios atribuindo a vitória do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva às comunidades originárias passaram a ser compartilhados na internet, trazendo a sugestão de envenenar o abastecimento de água de uma aldeia.

A gravação foi atribuída a um funcionário público municipal, fato confirmado pelo prefeito Rogério Torquetti. O gestor prestou esclarecimentos públicos em suas redes sociais ao classificar o episódio como um lamentável incidente e determinar o afastamento temporário do envolvido enquanto o processo administrativo é conduzido. "O servidor diz que teria que pôr veneno na água e matar todo mundo, sem citar nenhum tipo de gente".

Um segundo funcionário da prefeitura também enviou áudios com ofensas e desafios violentos direcionados a um morador local. "Vou te dar um recado bem duro e bem claro. Cê sabe onde eu moro. Eu tô aqui em casa. Quer resolver na pancada, você pode vir aqui. Na pancada, na bala, do jeito que você quiser".

Atuação do Ministério Público Federal e órgãos de proteção indígenas

As denúncias mobilizaram a atuação do Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul, que instaurou procedimentos específicos para apurar as acusações e resguardar a integridade dos territórios. Embora o procurador Marco Antonio Delfino Rufino tenha concluído que relatos anteriores de homicídios no município de Naviraí se tratavam de desinformação baseada em imagens fora de contexto, o órgão manteve postura rígida no caso de Tacuru. A prefeitura local recebeu o prazo de 48 horas para fornecer informações detalhadas sobre a conduta de seus funcionários e comprovar a abertura das medidas disciplinares cabíveis.

Paralelamente, o Ministério dos Povos Indígenas, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas e a Polícia Federal uniram esforços para acompanhar o desdobramento dos ataques no estado. O ministro Eloy Terena anunciou nesta quinta-feira (29) a estruturação de uma força-tarefa interministerial para centralizar o recebimento de notificações de violência e coordenar as ações de segurança. O Ministério da Justiça e Segurança Pública solicitou o apoio das corregedorias estaduais para apurar todas as ocorrências de forma integrada. A iniciativa busca dar resposta rápida às comunidades afetadas e punir os infratores de acordo com as diretrizes legais do país.

Perfil Brasil
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