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Polícia

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Major da PM é acusado de filmar tenente tomando banho em alojamento feminino da Casa Militar, diz jornal

Oficial foi denunciado à Justiça Militar de São Paulo por suspeita de gravar imagens íntimas de uma subordinada sem consentimento em 2024

30 out 2026 - 17h55
(atualizado às 18h01)
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O PM Leonardo Casabona
O PM Leonardo Casabona
Foto: Reprodução/Instagram:@guarujaprefeitura

O major da Polícia Militar Leonardo Casabona responde a uma ação penal na Justiça Militar de São Paulo por suspeita de violar a intimidade de uma tenente da corporação. Segundo denúncia apresentada pela 4.ª Promotoria Militar, o oficial, que à época dos fatos era capitão, teria filmado a policial enquanto ela tomava banho no alojamento feminino da Casa Militar, no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O caso ocorreu em 9 de outubro de 2024, mas a denúncia foi apresentada pela promotora Giovana Ortolano Guerreiro em 26 de maio de 2026. O processo tramita em segredo de Justiça. Os desdobramentos políticos do episódio envolveram figuras do governo paulista à época, como o então secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PL), e o então chefe da Casa Militar, Henguel Ricardo Pereira. O uso político do caso também provocou irritação no governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O que diz a denúncia contra o major

De acordo com a acusação, Casabona entrou no alojamento feminino de oficiais na noite de 9 de outubro de 2024 e registrou imagens da tenente durante o banho, sem o consentimento dela. A denúncia descreve que o capitão, como era à época, “no local, de forma clandestina e sem consentimento da vítima, filmou com seu aparelho celular a tenente enquanto ela tomava banho, captando imagens de conteúdo íntimo e de nudez”.

A policial percebeu a presença de alguém no banheiro e, ao olhar em direção à porta, identificou um celular com a câmera apontada para ela. Conforme o relato apresentado pela Promotoria Militar, a vítima saiu do boxe, cobriu-se com uma toalha e foi até o corredor dos alojamentos, onde encontrou Casabona com um aparelho nas mãos. Uma imagem do sistema de monitoramento do Palácio dos Bandeirantes anexada à denúncia mostra o oficial com um celular.

Questionado pela tenente sobre o motivo de estar ali, o major teria respondido: “Nada, eu iria só zoar”.

Segundo a acusação, a policial também trocou mensagens com o oficial após o episódio. Nas conversas anexadas ao processo, ele teria pedido desculpas, afirmado que não havia feito nada e dito que pretendia apenas ‘brincar’. Casabona também teria declarado que respeitava a tenente.

Durante audiência realizada em 8 de outubro, o major apresentou sua versão dos fatos. Ele afirmou que o episódio não passou de um mal-entendido e de uma brincadeira de mau gosto no alojamento feminino da Casa Militar. Na ocasião, não quis se manifestar à reportagem do Estadão.

A tenente, que era subordinada de Casabona, relatou ter ficado abalada com o ocorrido. Segundo o material apresentado no processo, ela passou a noite chorando, preocupada com a possibilidade de ter sido filmada durante o banho.

Como o caso chegou à cúpula da Segurança Pública

Dias após o episódio, a tenente relatou o ocorrido à capitã Iara Maria, mulher de Guilherme Derrite, então secretário da Segurança Pública de São Paulo. Depois de ouvir a policial, Iara comunicou o marido, que levou o caso ao conhecimento do governador Tarcísio de Freitas. O governador determinou o afastamento de Casabona da Casa Militar.

Em 14 de outubro de 2024, cinco dias após o episódio, a tenente procurou a Corregedoria da Polícia Militar para formalizar a denúncia, orientada por Derrite. De acordo com a Promotoria, Casabona solicitou outro telefone funcional à Casa Militar naquela data, mas não devolveu o aparelho anterior, que dizia apresentar defeito. O oficial também teria recusado suporte técnico para a transferência dos dados para o novo dispositivo.

A Casa Militar não tinha conhecimento do caso até então. Por esse motivo, segundo o relato apresentado no processo, o órgão não abriu uma apuração própria nem apreendeu o telefone utilizado pelo major.

A defesa de Casabona levanta suspeitas de motivação política por trás da denúncia. Na época dos fatos, tanto o oficial quanto a tenente estavam subordinados ao coronel Henguel Ricardo Pereira, então secretário-chefe da Casa Militar. Henguel não teria sido informado diretamente pela subordinada sobre o episódio e questionou o envolvimento de Derrite em uma situação que, na avaliação dele, deveria ter sido conduzida pela própria Casa Militar.

Disputa interna e circulação de dossiês

O caso se desenrolou em meio a divergências entre Henguel e Derrite, que havia sido seu superior quando ambos atuavam no Corpo de Bombeiros. Cotado para assumir a Secretaria da Segurança Pública no segundo mandato de Tarcísio, Henguel se distanciou do ex-secretário, que foi eleito senador.

Depois de assumir o cargo de secretário-adjunto da Segurança Pública, Henguel afastou de postos de comando da Polícia Militar oficiais nomeados por Derrite. O distanciamento entre os dois também ficou evidente na ausência do senador eleito na cerimônia de posse da coronel Glauce Anselmo Cavalli, indicada por Henguel para comandar a PM. Glauce se tornou a primeira mulher a assumir o comando da corporação centenária.

Paralelamente ao avanço do processo na Justiça Militar, dossiês com informações sobre empresas, negócios e antecedentes criminais de uma pessoa próxima a Henguel foram encaminhados a promotores, jornalistas, policiais e advogados. O Estadão teve acesso ao material, que atribuía parte das informações a uma “fonte humana”.

Procurado pelo jornal, Henguel afirmou ter conhecimento dos documentos. Segundo ele, os dossiês foram produzidos com o objetivo de ‘prejudicá-lo’ justamente no momento em que seu nome é considerado para assumir a Secretaria da Segurança Pública no próximo mandato de Tarcísio.

Derrite foi procurado pelo Estadão, mas não quis se manifestar. A advogada Gabriela Manssur, que representa a tenente, não respondeu ao jornal. O Terra entrou em contato com a corporação para pedir o posicionamento de Casabona e tenta retorno. 

A circulação dos documentos chegou ao Palácio dos Bandeirantes e provocou reação do governador. Na quarta-feira, segundo o Estadão, Tarcísio advertiu integrantes da cúpula da Segurança Pública que afastará todos os envolvidos caso não termine a disputa de dossiês. Segundo o relato, o governador atribui a produção dos documentos a oficiais da Polícia Militar insatisfeitos com os rumos da corporação.

Major recebeu punição disciplinar por episódio no alojamento

Além da ação penal, Casabona foi alvo de uma sindicância após ser transferido para o 21.º Batalhão da Polícia Militar, na Baixada Santista.

Um boletim reservado do Comando de Policiamento do Interior-6 (CPI-6), datado de 18 de maio de 2026 e assinado pelo coronel Fábio Possato, registra a aplicação de uma repreensão ao major, considerada uma sanção disciplinar leve.

O documento atribui ao oficial a conduta de ter, “sob o pretexto de interação lúdica“, ter ”provocado ruído e perturbado a tranquilidade ao golpear o anteparo (biombo) do alojamento feminino de oficiais em momento inoportuno".

O boletim, porém, não menciona a suspeita de gravação da tenente durante o banho. Segundo a promotora Giovana Ortolano Guerreiro, a conduta investigada na ação penal teria sido praticada “com violação da intimidade, da vida privada e da dignidade sexual da vítima, em ambiente sujeito à confiança, à hierarquia e à disciplina da Administração Militar”.

Qual é o crime atribuído ao major?

A Promotoria atribui a Casabona o crime previsto no artigo 216-B do Código Penal, que trata do registro não autorizado da intimidade sexual. A pena prevista é de seis meses a um ano de detenção.

O processo tramita na Justiça Militar e será julgado por um Conselho Especial de Sentença, formado por quatro coronéis e pelo juiz auditor. Caberá ao colegiado decidir se o major cometeu o crime de que é acusado.

Fonte: Portal Terra
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