Filha de Bola diz que ex-policial é inocente e tem álibi
- Ney Rubens
- Direto de Belo Horizonte
A filha do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola, afirmou nesta quarta-feira que seu pai tem um álibi contra as acusações de executar a ex-amante do goleiro Bruno, Eliza Samudio. Middian Kelly dos Santos disse que o pai ficou junto da família o mês de junho todo, na casa em Vespasiano (região metropolitana de Belo Horizonte), e que algum deles ou os vizinhos teriam que ouvir a chegada do suposto grupo que mataria Eliza.
"Não tem como alguém entrar aqui de madrugada e acontecer o que estão dizendo (a morte de Eliza) e ninguém ver nada", afirmou. "E os cachorros? Não latiram? A cadelinha mais nova, qualquer pessoa que passa na rua, qualquer pulguinha que entra aqui em casa, ela dá alarme, faz barulho, late demais e acorda todo mundo." Segundo ela, ninguém da família ou dos vizinhos foi intimado ou convidado a depor sobre o caso.
Ela protestou, ainda, quanto ao fato de a polícia ter deixado buracos por todos os lados de sua casa, dessarrumar tudo que podia. "Não encontrou nada e não voltou para consertar", disse. Ela reclamou, também, que os dez cães da família foram levados e não foram devolvidos até o momento.
Na residência moram, além dela, a mulher de Bola, um irmão dela e o neto do ex-policial. A assessoria de imprensa da Polícia Civil informou que, se a família se sentir prejudicada, pode questionar o Estado na Justiça, já que as buscas tinham autorização judicial.
O caso
Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.
No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Durante a investigação, testemunhas confirmaram à polícia que viram Eliza, o filho e Bruno na propriedade. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado. Por ter mentido à polícia, Dayanne Souza foi presa. Contudo, após conseguir um alvará, foi colocada em liberdade. O bebê foi entregue ao avô materno.
Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em depoimento, admitiu participação no crime. Segundo o delegado-geral do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) de Minas Gerais, Edson Moreira, o menor apreendido relatou que o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, estrangulou Eliza até a morte e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.
No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Os três negam participação no desaparecimento. A versão do goleiro e da mulher é de que Eliza abandonou o filho. No dia 8, a avó materna obteve a guarda judicial da criança.