Dois delegados são exonerados no Ceará após investigação do caso da "fazenda da maconha"
Dois delegados da Polícia Civil do Ceará (PC-CE) perderam os cargos de chefia após se tornarem investigados no processo que apura possíveis irregularidades na guarda da plantação de maconha.
Dois delegados da Polícia Civil do Ceará (PC-CE) perderam os cargos de chefia após se tornarem investigados no processo que apura possíveis irregularidades na guarda da plantação de maconha encontrada no município de Acopiara, no interior do estado.
A medida foi adotada em razão da abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) conduzido pela Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública (CGD).
Os afastamentos atingem Marcos Sandro Nazaré de Lira, que ocupava o cargo de delegado seccional da 4ª Seccional do Interior Sul, e Vicente de Paula Rodrigues, então titular da Delegacia Municipal de Acopiara. Conforme documentos oficiais, ambos deixaram as funções comissionadas em 29 de junho de 2026.
Em nota, a Polícia Civil esclareceu que a exoneração não representa uma punição definitiva, mas sim uma consequência prevista na legislação estadual para servidores que respondem a processo disciplinar.
Segundo a corporação, os delegados permanecem vinculados à Polícia Civil e continuam exercendo atividades na instituição, porém sem ocupar cargos de direção ou chefia até a conclusão da investigação.
Afastamento é previsto em lei
A medida está baseada na Lei Estadual nº 13.441/2004, que estabelece que policiais civis submetidos a processo administrativo disciplinar não podem permanecer nem assumir cargos comissionados enquanto o procedimento estiver em andamento.
O objetivo, segundo a norma, é preservar a imparcialidade da apuração até que haja uma decisão definitiva sobre o caso.
Associação dos delegados critica decisão
A Associação dos Delegados de Polícia Civil do Ceará (Adepol-CE) reagiu ao afastamento dos dois profissionais e afirmou que pretende recorrer da medida na Justiça.
O presidente da entidade, Jaime de Paula Pessoa Linhares, classificou a exoneração como uma antecipação de julgamento, alegando que ainda não houve investigação preliminar suficiente para definir responsabilidades.
Em manifestação assinada pelos advogados da associação, a Adepol afirmou que a abertura do PAD ocorreu de forma precipitada e sustentou que o episódio envolve questões institucionais mais amplas, não devendo ser atribuído exclusivamente aos dois delegados.
Caso ganhou repercussão após denúncia
A investigação teve início depois que o deputado federal André Fernandes divulgou vídeos mostrando parte de uma plantação com cerca de 290 mil pés de maconha ainda preservada em uma fazenda localizada em Acopiara.
A denúncia levantou questionamentos sobre a destinação da droga apreendida, já que a legislação prevê a destruição do material ilícito após os procedimentos periciais.
Diante da repercussão, o governador Elmano de Freitas determinou a abertura de investigação para apurar possíveis falhas na custódia da plantação e chegou a visitar pessoalmente a área onde ocorreu a apreensão.
Na ocasião, afirmou que todas as responsabilidades seriam investigadas e garantiu que nenhuma irregularidade seria ignorada.
Polêmica sobre destruição da plantação
Dias após a primeira denúncia, um novo vídeo divulgado por André Fernandes mostrou o parlamentar retirando do solo restos da plantação, levantando suspeitas de que a droga teria sido apenas enterrada.
A Polícia Civil rebateu a acusação e explicou que foi adotada uma técnica de destruição controlada executada pelo Corpo de Bombeiros. Segundo a corporação, as plantas foram queimadas em valas e, posteriormente, cobertas com terra como forma de impedir a propagação das chamas.
De acordo com a investigação, tanto o proprietário da fazenda quanto a pessoa responsável pelo arrendamento do terreno já foram identificados. O dono da propriedade chegou a ser preso, mas foi colocado em liberdade após audiência de custódia devido ao seu estado de saúde.
O Processo Administrativo Disciplinar segue em andamento e deverá definir se houve ou não responsabilidade funcional dos delegados afastados no caso que ficou conhecido como a "fazenda da maconha".
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