Delegado acusado de aceitar suborno de Abadia é demitido em SP
O delegado Pedro Luis Pórrio mais seis investigadores e dois agentes foram demitidos da Polícia Civil nesta segunda-feira após serem acusados de aceitar R$ 35 mil de suborno de um traficante de Campinas. O grupo também é suspeito do mesmo crime com colombianos da quadrilha de Juan Carlos Abadía, preso em 2007.
Pórrio e os oito policiais trabalhavam na Delegacia Seccional de Osasco, na Grande São Paulo, quando foram acusados pela Policia Federal. A PF investigava o traficante e gravou uma negociação com os demitidos da Polícia Civil. As fitas foram encaminhadas para a Corregedoria da Polícia Civil e ao Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) de Campinas.
Eles também são suspeitos de aceitar R$ 2,7 milhões de Abadía e de Ramón Manoel Yepes Penagos, conhecido como El Negro, preso no mesmo ano que Abadia, quando trabalhavam no Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc).
Com Pórrio, foram demitidos os investigadores Antonio Caballero Curci, Francisco Nascelio Pessoa, Luis Cláudio de Oliveira, Pablo Ricardo Pereira Xavier, Regina dos Santos e Sandro dos Santos, e os agentes policiais Daniel Ferreira Dutra e Eduardo da Silva Benevides.
O processo administrativo do caso Abadia em que Pórrio é acusado ainda não teve uma decisão. A demissão foi publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo no sábado.
Juan Carlos Abadia é considerado um dos maiores traficantes do mundo. Ele havia tentado se esconder em São Paulo usando identidade falsa. Além disso, fez diversas cirurgias plásticas para modificar o rosto.
Ele foi extraditado para os Estados Unidos em agosto de 2008. A Justiça brasileira condenou Abadia a 30 anos de prisão, mas o governo aceitou o pedido de extradição feito pelos americanos. Ele vai responder por assassinato, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. O traficante é acusado de levar mais de US$ 10 bilhões em cocaína para os Estados Unidos.