Complexo do Alemão é a Faixa de Gaza do Rio, diz 'El País'
A onda de ataques no Rio de Janeiro segue em destaque na mídia internacional nesta sexta-feira, um dia após blindados da Marinha auxiliarem a ocupação da Vila Cruzeiro, na zona norte da cidade. O assunto dominou as manchetes das versões digitais dos jornais El País, da Espanha, e La Nación, da Argentina.
O espanhol El País destaca o anúncio feito ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de envio de 800 soldados do Exército, dois helicópteros e mais tanques ao Rio de Janeiro. O jornal cita os acontecimentos do sexto dia do que chamou de "guerra" nos "quatro pontos cardeais da cidade". "O secretário de Segurança do Rio anunciou que a batalha no Complexo do Alemão - considerado a Faixa de Gaza do Rio -, onde se calcula que estejam concentrados cerca de mil traficantes, vai continuar hoje, mas não quis dar dados concretos 'para preservar a segurança dos militares'", diz o jornal.
A publicação relata o sentimento unânime entre a opinião pública de que as forças de ordem não podem voltar atrás e precisam ganhar a guerra. "Não basta que ganhem mais uma batalha, como as que estavam acostumados no passado", para posteriormente constatar que "a cabeça do dragão do tráfico voltava a levantar-se com maior força", diz o El País. "Pela primeira vez na triste e violenta história da luta contra os traficantes, a população das favelas saiu de suas casas para aplaudir os policiais e os militares e oferecer-lhes ajuda."
O jornal ainda faz uma referência ao filme Tropa de Elite 2, sucesso nos cinemas nacionais que retrata a luta do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) contra o crime. "Os brasileiros que assistiram em massa à segunda parte do filme Tropa de Elite acreditavam que estavam assistindo novamente ao filme", afirma.
Já o argentino La Nación fala sobre a "tensa calma" com que o Rio de Janeiro amanheceu nesta sexta-feira, à espera de novas ações da polícia contra o tráfico de drogas nas favelas da zona norte da cidade. "Com a Cidade Maravilhosa transformada em um verdadeiro cenário de guerra, os cariocas sofrem de uma síndrome de pânico e têm de alterar sua rotina, enquanto permanecem atentos às notícias dos jornais, rádios e TVs para seguir o andamento da batalha", diz o jornal.
Para a publicação, a tomada da Vila Cruzeiro foi apenas um episódio de uma guerra "que promete ser dura e que foi reiniciada com os ataques de traficantes em resposta à política de segurança e pacificação das favelas, lançada pelo governo de Sérgio Cabral em 2007".
A matéria do La Nación faz ainda um paralelo entre a situação no Rio de Janeiro e a onda de violência registrada em São Paulo em 2006, quando membros da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) levou pânico às ruas com ataques às autoridades que deixaram mais de 500 mortos em nove dias, em resposta à transferências de chefes do grupo a prisões de segurança máxima.