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Polícia

Comandante: queimar veículos é meio barato de causar pânico

25 nov 2010 - 21h35
(atualizado em 25/11/2010 às 01h57)
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Luís Bulcão Pinheiro
Direto do Rio de Janeiro

Em meio ao turbilhão da onda de atentados promovidos por traficantes no Rio de Janeiro desde o último domingo, o comandante-Geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Britto Duarte, afirmou em entrevista ao Terra, na tarde da quarta-feira (24), que a queima de carros e ônibus "é um meio barato e relativamente fácil de causar uma imensa dose de pânico na população". Desde a última segunda-feira, 23 pessoas morreram, 159 foram presas ou detidas e uma cabine foi metralhada. Além disso, desde domingo, foram contabilizados 37 veículos incendiados na cidade.

Somente na quarta-feira, 15 veículos de passeio foram incendiados, além de duas vans, sete ônibus e um caminhão.

Perguntado se a ação, com a queima de veículos, tem o objetivo estrito de assustar a população, Duarte disse: "sem a menor sombra de dúvida. Os assaltos também. É normal que a população se assuste. Eles assustam a população civil, mas jamais assustarão a polícia".

Segundo o Comandante, a recomendação aos cidadãos diante o cenário violento é: "como já determinou o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, é importante manter a calma e continuar sua rotina. Em caso de assalto, nunca reagir, evitar olhar no rosto dos bandidos para não irritá-los e se manter parado". E completou: "a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) está na rua com 18 mil homens, todos de prontidão". Na quarta, Beltrame disse que a população deve manter a calma ante o atual panorama no Rio.

Na última terça-feira, Beltrame afirmou que o governo recebeu informações (ainda não há confirmação dos órgãos de inteligência da polícia) de que duas grandes facções criminosas do Rio teriam se unido para ordenar os ataques. Sobre a especulação, o Comandante afirmou que "o que se tem são informes, ainda incompletos, sobre esta situação".

"Os criminosos que estão enfrentando a PM estão se rendendo ou tombando em confrontos. Eles tentam afrontar o poder público porque a política de Segurança Pública desagrada a eles, não querem a pacificação. O meio de vida deles é a guerra, é a droga, é a tragédia alheia", afirmou.

Violência

Os ataques tiveram início na tarde de domingo, dia 21, quando seis homens armados com fuzis abordaram três veículos por volta das 13h na Linha Vermelha, na altura da rodovia Washington Luis. Eles assaltaram os donos dos veículos e incendiaram dois destes carros, abandonando o terceiro.

Enquanto fugia, o grupo atacou um carro oficial do Comando da Aeronáutica (Comaer) que andava em velocidade reduzida devido a uma pane mecânica. A quadrilha chegou a arremessar uma granada contra o utilitário Doblò. O ocupante do veículo, o sargento da Aeronáutica Renato Fernandes da Silva, conseguiu escapar ileso.

Ainda no domingo, em arrastão na Via Dutra, uma quadrilha armada bloqueou um trecho da pista sentido São Paulo, na altura de Pavuna, e roubaram um Kia Cerato e um Prisma. Na ação, uma das vítimas, identificada como Guilherme Feitosa da Silva, 26 anos, foi baleado na cabeça e levado em estado grave para o Hospital Getúlio Vargas.

Na manhã de segunda-feira, cinco bandidos armados atacaram motoristas no Trevo das Margaridas, próximo à avenida Brasil, em Irajá, também na zona norte. Os criminosos roubaram e incendiaram três veículos - uma van de passageiros que fazia o trajeto de Belford Roxo para o Centro, um Monza e um Uno. Também na segunda pela manhã, criminosos armados com fuzis atiraram em uma cabine da PM na rua Monsenhor Félix, em frente ao Cemitério de Irajá. A PM acredita que o incidente tenha sido provocado pelos mesmos bandidos que queimaram os carros no Trevo das Margaridas.

À noite, criminosos atearam fogo em outros dois veículos na rodovia Presidente Dutra, sentido Capital, na altura da Pavuna. Na zona norte, uma cabine da Polícia Militar (PM) foi metralhada próximo ao shopping Nova América, em Del Castilho.

Já na manhã de terça-feira, dois homens foram mortos a tiros em um Honda Civic na rodovia Washington Luís, altura do km 122. A PM diz que não há relação entre este crime e os ataques anteriores. O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, atribuiu a escalada de violência à atuação do Estado no combate à criminalidade nas favelas. "Sem dúvidas isso tem relação com a nossa política de segurança pública", afirmou, referindo-se à implantação de unidades de polícia pacificadora (UPPs).

Também na terça-feira, a cúpula da Polícia Militar anunciou a operação "Fecha Quartel", que prevê colocar todos os homens nas ruas para reforçar o patrulhamento. A PM informou que reduzirá as folgas dos policiais gradativamente até o ano que vem, além de prometer a contratação de 7 mil policiais. Para o combate ao crime, a corporação ainda utilizará o Batalhão de Choque e 140 motocicletas.

Fonte: Especial para Terra
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