Central do Brasil registra 200 assaltos em 90 dias no Rio
Uma área do tamanho de dois campos de futebol, em frente à Central do Brasil, supera qualquer bairro do Rio de Janeiro no quesito risco para pedestres. O espaço de pouco mais de 10 mil m², entre a Rua General Caldwell e o Campo de Santana, na avenida Presidente Vargas, no centro, alcança a impressionante marca de mais de dois assaltos por dia. Para comprovar o "boom" de roubos e furtos a pedestres nos últimos três meses, o jornal O Dia acompanhou quatro operações da Polícia Militar no local. O assaltantes, em sua maioria menores de idade, atacaram, em 90 dias, 200 pessoas.
Foi possível flagrar uma série de irregularidades justamente na hora em que milhares de trabalhadores cariocas estão indo para o trabalho, entre 7h e 10h. São invasões de ônibus, agressões a passageiros, menores usando drogas e assaltos que têm como alvos preferenciais mulheres e idosos. "Estou sempre com a bolsa atravessada no peito para dificultar que a arranquem de mim", ensina a dona de casa Eliane Carvalho, 47 anos.
A equipe de reportagem presenciou a apreensão de dois menores que atiraram um garrafa contra passageiros de um ônibus, para tentar assaltar, e um menor que havia roubado o cordão de uma mulher. O adolescente J., 14 anos, foi alcançado pelos PMs, mas já tinha se livrado do cordão. A vítima do roubo seguiu em um ônibus antes que os policiais conseguissem fazer contato.
O comandante do 5º BPM (Praça da Harmonia), Edivaldo Costa, afirma que já conseguiu reduzir pela metade os índices de roubos em fevereiro ao colocar dez policiais para trabalhar na área. "De dois meses para cá, ficou insuportável. Eram de 15 a 20 garotos roubando de 7h até 22h. Mas a maioria é menor de idade. Eles são encaminhados para um abrigo e, uma hora depois, são soltos, roubando de novo", disse.