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Caso Mércia: defesa compara Mizael a Tiradentes e réu chora em júri

Aos jurados, advogados apelaram ao emocional e questionaram provas contra o réu: "todos querem a sua cabeça"

14 mar 2013
15h58
atualizado às 16h13
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A defesa do advogado e policial militar reformado Mizael Bispo de Souza, 43 anos - acusado de matar a ex-namorada Mércia Nakashima, 28 anos, em maio de 2010 - apelou aos jurados que estes votassem levando em conta apenas o que ouviram em plenário, e não quase três anos que separam o júri do crime. O advogado Ivon Ribeiro chegou a comparar o réu a Tiradentes, enforcado em 1789 após a Inconfidência Mineira. "Você também pode ser chamado de Tiradentes. Todo mundo quer a sua cabeça. Vamos logo enforcar esse infeliz", disse ele. Mais adiante, sugeriu que o réu está colocado contra o paredão.

Mizael aguarda o início de seu julgamento pela morte da ex-namorada Mércia
Mizael aguarda o início de seu julgamento pela morte da ex-namorada Mércia
Foto: Fernando Borges / Terra

Mizael acompanhou toda a fala da defesa de cabeça baixa e um lenço branco na mão. Em vários momentos, ele abriu o lenço sobre o rosto e limpou os olhos, num gesto de choro.  O advogado disse ainda que acusação sem provas é nada. "Não há uma prova contundente que apontasse que o réu cometeu o crime que é imputado a ele. Foram três anos de falácia, em que nada de concreto foi levantado contra ele. Não conseguiram sequer trazer uma prova."

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Ribeiro questionou os laudos periciais que compararam as algas encontradas nos sapatos de Mizael àquelas que vivem na represa de Nazaré Paulista, local onde o corpo de Mércia foi encontrado, além do relatório sobre a quebra de sigilo telefônico do réu. "Apresentaram aqui contas fantasiosas. Apresentaram um monte de dados que eu não entendi nada. Pelo que eu sei, é uma ciência de probabilidade. Tentaram dar uma credibilidade a algo que não é exato", disse ele.

O advogado disse ainda que tentaram mudar o horário do crime. "Foi declarada uma mentira nesse tribunal. Depois reclamam de mensalão. Se quebrassem o sigilo telefônico de algumas pessoas que passaram aqui... Sem a famigerada prova, não dá para condenar", disse ele.

Em outro trecho, o colega de Ribeiro, o assistente da defesa Samir Haddad Júnior, disse que a imprensa condena e absolve uma pessoa assim como o poder judiciário, e que não há provas robustas contra ele. Aos jurados, foi dito que se mobilizou um exército de testemunhas contra Mizael e que houve sensacionalismo no tratamento do caso.

Ele apelou ainda para o emocional: "sou marcado na rua como advogado do Mizael. Eu sei que defendo um inocente. Ele (Mizael) foi chamado de assassino, mentiroso, covarde. Querem espezinhar, pisar quem está na lama".

Aos jurados, o advogado lembrou que o réu nunca confessou o crime. "Nem para advogado, nem para a família, nem para ninguém. Há um risco de ele ser inocente", disse, lembrando que a dúvida deve ser a favor do réu.

E completou: "tenho mil por cento de certeza que não foi ele. Tenho certeza absoluta que não foi Mizael. Passarinho não quer ficar preso nem em gaiola de ouro", afirmou.

O caso
A advogada Mércia Nakashima, 28 anos, desapareceu no dia 23 de maio de 2010, após deixar a casa dos avós em Guarulhos (Grande São Paulo), e foi encontrada morta no dia 11 de junho, em uma represa em Nazaré Paulista, no interior de São Paulo. A perícia apontou que ela levou um tiro no rosto, um tiro no braço esquerdo e outro na mão direita,  mas morreu por afogamento quando seu carro foi empurrado para a água.

O ex-namorado de Mércia, o policial militar reformado e advogado Mizael Bispo de Souza, 43 anos, foi apontado como principal suspeito pelo crime e denunciado por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. De acordo com a investigação, Mércia namorou durante cerca de quatro anos com Mizael, que não se conformava com o fim do relacionamento amoroso. A Promotoria também denunciou o vigia Evandro Bezerra Silva, que teria o ajudado a fugir do local, mas seu julgamento ocorrerá separadamente, em julho deste ano.

Preso em Sergipe dias depois da morte de Mércia, Evandro afirmou ter ajudado Mizael a fugir, mas alegou posteriormente que foi obrigado a confessar a participação no crime, sob tortura. Entretanto, rastreamento de chamadas telefônicas feito pela polícia com autorização da Justiça colocaram os dois na cena do crime, de acordo com as investigações. Outra prova que será usada pela promotoria é um laudo pericial de um sapato de Mizael, no qual foram encontrados vestígio de sangue, partículas ósseas, vestígios do projétil da arma de fogo e uma alga típica de áreas de represa.
 
Mizael teve sua prisão decretada pela Justiça em dezembro de 2010, mas se escondeu após considerar a prisão "arbitrária e injusta", ficando foragido por mais de um ano. Em fevereiro de 2012, porém, ele se entregou à Justiça de Guarulhos e, desde então, aguardava ao julgamento no Presídio Militar de Romão Gomes - enquanto o vigia permanece preso na Penitenciária de Tremembé. Mizael nega ter assassinado Mércia e disse, na ocasião, que a tratava como "uma rainha". Já o vigia afirmou, em depoimento, que não sabia das intenções do advogado e que apenas lhe deu uma carona. Se condenados, eles podem ficar presos por até 30 anos.

Fonte: Terra
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