1 evento ao vivo

Advogado de Bola chama promotor de canalha em depoimento de delegado

Juíza Marixa Fabiane precisou intervir para acalmar os ânimos de acusação e defesa durante julgamento do ex-policial civil

25 abr 2013
13h41
atualizado às 13h51
  • separator
  • 0
  • comentários
  • separator
O delegado Edson Moreira depõe no julgamento de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola
O delegado Edson Moreira depõe no julgamento de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola
Foto: Renata Caldeira / TJMG / Divulgação

Durante o depoimento do delegado Edson Moreira, no Fórum de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, no julgamento do ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, o advogado Ércio Quaresma trocou farpas com a testemunha e com a acusação. No momento mais tenso, a juíza Marixa Fabiane precisou intervir.

Caso Bruno: onde estão os personagens do crime? 
Veja mais de 30 crimes que abalaram o País
Veja jogadores que estiveram nas páginas policiais
Veja frases marcantes do caso Bruno
Veja as Mulheres do caso Bruno
Como funciona o Tribunal do Júri

"O senhor é canalha. Você é um canalha e eu vou provar", disse o advogado de defesa para o promotor Henry Vasconcelos, que rebateu. "Canalha é você. Me respeite. Você fez uma afirmação mentirosa e canalha", gritou.

Os ânimos só se acalmaram quando a magistrada entrou no meio da discussão pedindo respeito para a testemunha. Ela ainda afirmou que, se tudo não acabasse ali, Edson Moreira, que fala desde as 9h20 desta quinta-feira, seria dispensado. Vale lembrar que o depoimento do delegado iniciou na tarde de quarta e foi interrompido à noite.

Briga com a testemunha
Além de brigar com o promotor, Ércio Quaresma também teve problemas com Edson Moreira, que atualmente é vereador em Belo Horizonte pelo PTN. Durante as perguntas, o advogado deu a entender que o ex-delegado teria pedido uma quantia em dinheiro para Bruno, na época das investigações.

"O senhor me respeite. Já vi você falando na imprensa que eu teria pedido dinheiro para o Bruno, então você prova", disse Moreira, se mostrando nervoso. Pouco depois, após um intervalo, o defensor de Bola pediu perdão e seguiu seu trabalho.

O caso Bruno
Eliza Samudio desapareceu no dia 4 de junho de 2010 após ter saído do Rio de Janeiro para ir a Minas Gerais a convite de Bruno. Vinte dias depois a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. O filho de Eliza, então com quatro meses, teria sido levado pela mulher de Bruno, Dayanne Rodrigues. O menino foi achado posteriormente na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza, um motorista de ônibus denunciou o primo do goleiro como participante do crime. Apreendido, jovem de 17 anos relatou à polícia que a ex-amante de Bruno foi mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães. 

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão. 

Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio Rosa Sales e Bola seriam levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson responderiam por sequestro e cárcere privado. 

No dia 19 de novembro de 2012, foi dado início ao julgamento de Bruno, Bola, Macarrão, Dayanne e Fernanda. Dois dias depois, após mudanças na defesa do goleiro, o tribunal decidiu desmembrar o processo.  O júri condenou Macarrão, a 15 anos de prisão, e Fernanda Gomes de Castro, a cinco anos. No dia 8 de março de 2013, Bruno foi condenado a 22 anos e três meses de prisão, dos quais 17 anos e seis meses terão de ser cumpridos em regime fechado. Dayanne Rodrigues do Carmo, ex-mulher do goleiro e acusada de ser cúmplice no crime, foi absolvida. O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que é acusado como autor do homicídio, teve o júri marcado para abril de 2013.

Veja também:

PRF apreende maconha oculta em veículo com bebê de dois meses
Fonte: Especial para Terra
  • separator
  • 0
  • comentários
publicidade