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Ex-delegado fala por cinco horas e encerra terceiro dia de júri de Bola

Apesar do longo tempo prestando esclarecimentos, ele ainda será ouvido nesta quinta-feira, após pedido da defesa do ex-policial

24 abr 2013 21h28
| atualizado às 21h37
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O delegado Edson Moreira depõe no julgamento de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola
O delegado Edson Moreira depõe no julgamento de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola
Foto: Renata Caldeira / TJMG / Divulgação

Após cerca de cinco horas, o depoimento do ex-delegado Edson Moreira, chefe das investigações do caso Eliza Samúdio, no julgamento do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, foi encerrado, nesta quarta-feira, no fórum de Contagem. Apesar de finalizado o dia de trabalhos, o antigo delegado do Departamento de Investigações ainda falará nesta quinta-feira, por conta de um pedido do advogado de Bola, Ércio Quaresma, que alegou cansaço.

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Moreira, atualmente vereador em Belo Horizonte, esclareceu vários pontos da investigação do crime, em 2010, em depoimento longo, conturbado e cheio de troca de farpas entre defesa e testemunha.

Em uma parte importante do testemunho, Moreira descontruiu uma tese antiga utilizada pela defesa de Bola. Desde o início do caso, Ércio Quaresma afirma que durante as investigações não foi encontrado sangue na casa do ex-policial civil. O delegado, no entanto, explicou que Eliza não foi esquartejada na casa de Marcos Aparecido.
 
Moreira ainda esclareceu que a narrativa onde a mão da ex-amante do goleiro Bruno foi jogada para os cães também foi uma tática utilizada por Bola para confundir as testemunhas. Segundo ele, o objeto jogado para os cachorros foi outro, e, por isso, os exames feitos nos animais não identificaram vestígios do corpo da modelo.

Durante o depoimento do ex-delegado, a defesa de Bola tentou desqualificar o trabalho da Polícia Civil durante o processo de investigações do caso. A estratégia ficou clara no depoimento do jornalista José Cleves, na manhã desta quarta-feira. Entre outras coisas, o jornalista afirmou que a arma com a qual ele foi acusado de matar uma pessoa foi plantada pela polícia. Cleves foi indiciado por Moreira e inocentado pelo crime que foi acusado.

O julgamento será retomado nesta quinta-feira, às 9h, com o depoimento de Edson Moreira. Após o ex-delegado, serão exibidas peças anexadas ao processo. A expectativa fica ainda para o interrogatório de Bola que ocorrerá logo em seguida.

O caso Bruno
Eliza Samudio desapareceu no dia 4 de junho de 2010 após ter saído do Rio de Janeiro para ir a Minas Gerais a convite de Bruno. Vinte dias depois a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. O filho de Eliza, então com quatro meses, teria sido levado pela mulher de Bruno, Dayanne Rodrigues. O menino foi achado posteriormente na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza, um motorista de ônibus denunciou o primo do goleiro como participante do crime. Apreendido, jovem de 17 anos relatou à polícia que a ex-amante de Bruno foi mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães. 

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão. 

Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio Rosa Sales e Bola seriam levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson responderiam por sequestro e cárcere privado. 

No dia 19 de novembro de 2012, foi dado início ao julgamento de Bruno, Bola, Macarrão, Dayanne e Fernanda. Dois dias depois, após mudanças na defesa do goleiro, o tribunal decidiu desmembrar o processo.  O júri condenou Macarrão, a 15 anos de prisão, e Fernanda Gomes de Castro, a cinco anos. No dia 8 de março de 2013, Bruno foi condenado a 22 anos e três meses de prisão, dos quais 17 anos e seis meses terão de ser cumpridos em regime fechado. Dayanne Rodrigues do Carmo, ex-mulher do goleiro e acusada de ser cúmplice no crime, foi absolvida. O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que é acusado como autor do homicídio, teve o júri marcado para abril de 2013.

Fonte: Especial para Terra
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