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Júri de Bola recomeça com depoimentos de jornalista e delegado

José Cleves da Silva e Edson Moreira foram arroladas como testemunhas de defesa

24 abr 2013 10h54
| atualizado às 11h30
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<p>Jornalista José Cleves foi o primeiro a ser ouvido na sessão desta quarta-feira</p>
Jornalista José Cleves foi o primeiro a ser ouvido na sessão desta quarta-feira
Foto: Renata Caldeira/TJ-MG / Divulgação

Começou às 9h30 desta quarta-feira no Fórum de Contagem (MG), região metropolitana de Belo Horizonte, o terceiro dia do julgamento do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, pela morte e sumiço do corpo de Eliza Samudio, ex-amante do goleiro Bruno, condenado pelo crime a 22 anos e 3 meses de prisão.

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A sessão iniciou com o depoimento do jornalista José Cleves da Silva, que na década pássada foi indiciado pela Polícia Civil pela morte da ex-mulher, assassinada a tiros, mas absolvido na Justiça. O delegado que investigou Cleves foi Edson Moreira, também chefe das investigações do caso Eliza Samudio, e atualmente vereador em BH pelo PTN. Moreira irá prestar depoimento em seguida.

Cleves e Moreira foram arrolados como testemunhas de defesa de Marcos Aparecido dos Santos. A intenção dos 12 advogados de Bola é “mostrar os erros e maldades do Edson Moreira nas duas investigações”, disse o defensor Ércio Quaresma, desafeto declarado do delegado. 
 
Logo no início do depoimento, indagado por Quaresma se ele acreditava que houve má fé por parte da imprensa na divulgação dos fatos acerca da morte da ex-mulher, o jornalista respondeu que não acreditava “que houve dolo, e sim erros. Apenas repassavam o que a polícia dizia,” avaliou. Cleves também já denunciou no depoimento que Edson Moreira o teria obrigado a participar de uma reconstituição onde haveria sangue da ex-mulher no carro e também que Moreira teria dito a ele que havia pólvora em um dos braços dele, Cleves, o que não teria sido encontrado nos exames feitos pelo Instituto de Criminalística da Polícia Civil na época. “Sofro com isso até hoje”, disse Cleves, ao ser perguntado sobre os efeitos do suposto erro nas investigações.

A previsão é a de que o julgamento do ex-policial termine na sexta-feira, logo após o embate entre o promotor de Justiça Henry Wagner Vasconcelos Castro e defensores. Após o depoimento das outras cinco testemunhas que restarão, Bola deverá ser ouvido amanhã. O ex-policial ainda é investigado pela morte de dois homens em 2008 na cidade de Esmeraldas, também na Grande BH. 

O caso Bruno
Eliza Samudio desapareceu no dia 4 de junho de 2010 após ter saído do Rio de Janeiro para ir a Minas Gerais a convite de Bruno. Vinte dias depois a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. O filho de Eliza, então com quatro meses, teria sido levado pela mulher de Bruno, Dayanne Rodrigues. O menino foi achado posteriormente na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza, um motorista de ônibus denunciou o primo do goleiro como participante do crime. Apreendido, jovem de 17 anos relatou à polícia que a ex-amante de Bruno foi mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães. 

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão. 

Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio Rosa Sales e Bola seriam levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson responderiam por sequestro e cárcere privado. 

No dia 19 de novembro de 2012, foi dado início ao julgamento de Bruno, Bola, Macarrão, Dayanne e Fernanda. Dois dias depois, após mudanças na defesa do goleiro, o tribunal decidiu desmembrar o processo.  O júri condenou Macarrão, a 15 anos de prisão, e Fernanda Gomes de Castro, a cinco anos. No dia 8 de março de 2013, Bruno foi condenado a 22 anos e três meses de prisão, dos quais 17 anos e seis meses terão de ser cumpridos em regime fechado. Dayanne Rodrigues do Carmo, ex-mulher do goleiro e acusada de ser cúmplice no crime, foi absolvida. O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que é acusado como autor do homicídio, teve o júri marcado para abril de 2013.

 

Fonte: Especial para Terra
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