Após prisão na Bolívia, chefe do PCC é trazido ao Brasil sob forte esquema de segurança
Apontado como integrante da cúpula do PCC, Palermo estava foragido desde 2020 e foi encontrado em Santa Cruz de la Sierra
O traficante Gerson Palermo, apontado como um dos chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC), chegou a Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, no fim da tarde desta quarta-feira, 27. Foragido há seis anos, ele foi preso nesta semana na Bolívia durante uma ação de cooperação internacional entre a Polícia Federal e a Força Especial de Luta contra o Narcotráfico (FELCN), da polícia boliviana.
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Após chegar ao Brasil, o preso foi levado por policiais federais à Superintendência Regional da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul. Posteriormente, ele será encaminhado ao sistema penitenciário federal, onde permanecerá à disposição da Justiça, segundo informou a PF em nota.
Palermo foi preso na região de Santa Cruz de la Sierra nesta terça-feira, 26. Ele havia fugido após deixar o presídio federal de segurança máxima de Campo Grande após obter o benefício da prisão domiciliar, concedido em abril de 2020.
Apontado como chefe do PCC, ele acumula condenações por tráfico internacional de drogas e sequestro de avião. Ele ficou conhecido em 2000, quando participou do sequestro de uma aeronave comercial utilizada para roubar malotes do Banco do Brasil. Depois, segundo a Polícia Federal, passou a atuar no tráfico internacional de cocaína, fazendo a ligação entre facções brasileiras e cartéis da Bolívia e da Colômbia.
Ele fugiu no mesmo ano em que foi solto, após o desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) Divoncir Maran — atualmente investigado pelo caso — conceder a prisão domiciliar ao criminoso. Palermo somava 126 anos de prisão por diferentes condenações. Após obter o benefício, rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu.
A defesa de Palermo não foi localizada até a última atualização desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.
Desembargador punido
O desembargador Divoncir Maran foi punido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em fevereiro deste ano, com aposentadoria compulsória. O caso ocorreu em abril de 2020.
Segundo o programa Fantástico, da TV Globo, mensagens obtidas pela investigação indicam que o magistrado sabia antecipadamente do pedido de prisão domiciliar e avisou assessores. O pedido foi feito pela defesa de Palermo na véspera de um feriado, quando o TJMS operava em regime de plantão.
Nas mensagens trocadas entre assessores do desembargador, um deles escreveu: “Vai entrar esse HC, chefe pediu para prover.” "HC" é a sigla para habeas corpus.
O benefício foi concedido cerca de 40 minutos após ser protocolado e, menos de cinco horas depois, Gerson Palermo rompeu a tornozeleira eletrônica e desapareceu, quando passou a ser considerado foragido antes de ser capturado nesta terça-feira.
Na ocasião, a defesa do traficante alegou que ele apresentava problemas de saúde e, por isso, no contexto da pandemia de covid-19, deveria ser beneficiado com a prisão domiciliar. Segundo o CNJ, porém, o desembargador não analisou adequadamente o processo ao conceder o habeas corpus.
Além disso, Divoncir Maran é investigado por suspeitas de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A defesa dele nega irregularidades.
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