Fluxo Oculto: atuação de fintechs no crime organizado foi descoberta por informações financeiras enviadas à Receita, diz Durigan
Ministro da Fazenda criticou postura de deputados da oposição que criaram a 'crise do Pix' em 2025 e teriam atrasado monitoramento
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, comentou, na manhã desta quinta-feira, 28, a Operação Fluxo Oculto, desdobramento da Carbono Oculto que mira a atuação de fintechs em lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo ele, o vínculo entre as fintechs e o crime organizado só foi descoberto por causa do sistema de envio de informações financeiras implementado pelo governo federal no ano passado e que teria sido alvo do que ficou conhecido como "crise do Pix".
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
"A gente espera avançar no combate ao crime organizado da maneira que importa, da maneira inteligente, que é fazendo asfixia financeira, identificando as questões que abastecem, de fato, essa engrenagem das organizações criminosas. Essas fintechs foram identificadas dadas informações que a Receita passou a receber em meados de 2025. Também identificamos a utilização de criptoativos para fins de lavagem de dinheiro e vamos seguir avançando com essas operações", afirmou.
Durigan se referia ao sistema e-Financeira, declaração que, desde agosto do ano passado, instituições financeiras devem enviar periodicamente à Receita Federal. Antes, as fintechs não eram obrigadas a enviar esses dados, como eram os bancos. Com a implementação da declaração, mais de 450 instituições adicionais começaram a enviar informações sobre movimentações de clientes.
Segundo a pasta, das seis fintechs objeto da operação, três entregaram a e-Financeira informando cerca de R$ 8 bilhões movimentados de janeiro a dezembro de 2025. As outras três serão autuadas em fiscalização da Receita Federal pela não entrega da obrigação.
Em sua fala a jornalistas, Durigan relembrou que a implementação do sistema de declaração que incluía as fintechs foi alvo de fake news e precisou ser atrasado, aproveitando para tecer críticas a políticos de oposição.
"Inconsistências foram identificadas graças às informações prestadas via E-Financeira pela declaração para a Receita Federal, que, em razão de deputados e influencers da direita, foram sendo impedidas de serem realizadas durante um tempo", disse o ministro.
Operação Fluxo Oculto
O Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, e a Receita Federal realizam, nesta quinta-feira, 28, a segunda fase da Operação Carbono Oculto, chamada de Operação Fluxo Oculto, que mira a infiltração da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis.
São cumpridos 59 mandados de busca e apreensão em pessoas físicas e jurídicas de cinco estados: São Paulo (capital, Arujá, Atibaia, Barueri, Itupeva, Jardinópolis, Mogi das Cruzes, Paulínia, Rafard, Santos, São José do Rio Preto, Sorocaba e Votorantim), Paraná (Cascavel e Paranavaí), Mato Grosso do Sul (Iguatemi), Minas Gerais (Belo Horizonte) e Rio de Janeiro (capital).
Participam da operação cerca de 135 auditores-ficais, analistas-tributários e servidores administrativos da Receita Federal, além de dezenas de servidores dos órgãos parceiros.
A nova fase tem o objetivo de mostrar que, mesmo depois da Carbono Oculto em agosto de 2025, a organização criminosa continuou agindo com lavagem de dinheiro, adulteração de combustíveis e sonegação de impostos.
Os principais alvos são empresários, operadores logísticos e pessoas usadas como laranjas no esquema. Eles continuaram atuando depois das ações policiais anteriores, mostrando um alto grau de organização para o crime.
O grupo passou a concentrar as movimentações de dezenas de postos de combustíveis para tentar despistar a fiscalização e as investigações.
Em um dos casos, 56 postos faziam suas operações em uma única conta. Além disso, os alvos migraram os recursos entre várias fintechs nos últimos meses, usando novas empresas para substituir as antigas, que já foram expostas pelas autoridades.
Um braço do esquema importava o solvente nafta para adulterar combustíveis. A partir disso, criminosos conseguiam sonegar impostos. O lucro obtido pela sonegação era investido em fintechs com sede na Avenida Faria Lima, em São Paulo. O uso de fintechs permitia dissimular os recursos de origem criminosa.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.