Cláudio Castro é alvo de buscas da PF por aportes no Banco Master pelo Rioprevidência
Ex-governador do RJ é alvo de nova fase da operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro do STF André Mendonça
O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) é alvo de uma nova fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF) nesta terça-feira, 26. A operação investiga aportes de recursos públicos no Rio de Janeiro em fundos ligados ao Banco Master.
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De acordo com a PF, Castro transferiu um total de quase R$ 3 bilhões para o Master, de Daniel Vorcaro, em diferentes ocasiões.
O dinheiro partiu do Rioprevidência, fundo que gere benefícios de 235 mil aposentados e pensionistas do estado. A PF cumpre 10 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e Distrito Federal, expedidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O Terra tentou contato com o advogado de Cláudio Castro, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem.
CPI na Alerj
No início de maio, o deputado estadual Flávio Serafini (PSOL-RJ) anunciou que obteve assinaturas suficientes para abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), com o objetivo de investigar os investimentos no Master feitos pelo governo de Cláudio Castro. A CPI ainda não foi instalada.
Segundo os dados apresentados na Assembleia, o Rioprevidência investiu quase R$ 1 bilhão diretamente no Banco Master. Além disso, o fundo de previdência também aplicou cerca de R$ 1,6 bilhão em fundos administrados pela instituição financeira.
Segundo os deputados, parte do investimento foi feito mesmo depois de alertas do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), que proibiu novos aportes do Rioprevidência no banco.
A Cedae também realizou investimentos no Banco Master e os valores somam R$ 200 milhões.
Operação Compliance Zero
A Polícia Federal (PF) realiza nesta terça, 26, a oitava fase da Operação Compliance Zero, para apurar prática de crimes financeiros no âmbito do fundo Rioprevidência. Os mandados são cumpridos no RJ e DF.
Segundo a PF, a investigação é um desdobramento da Operação Barco de Papel que identificou aportes suspeitos do Rioprevidência em Letras Financeiras de banco privado que totalizaram cerca de R$ 970 milhões, entre outubro de 2023 e julho de 2024.
Nesta fase, são apuradas as aplicações de R$ 2,01 bilhões, a partir de julho de 2024, em fundos de investimentos do mesmo banco, totalizando cerca de R$ 3 bilhões transferidos do Rioprevidência.
Influência política e relação com Vorcaro
O Terra teve acesso ao documento expedido pelo STF que detalha a nova fase da Operação Compliance Zero. Segundo a investigação, entre 2023 e 2025, o Rioprevidência aplicou cerca de R$ 3 bilhões em produtos financeiros ligados ao Banco Master. Primeiro, o dinheiro foi colocado em Letras Financeiras do banco. Depois, quando surgiram dificuldades regulatórias para continuar esse tipo de operação, os recursos passaram a ser investidos em fundos ligados ao mesmo grupo.
A PF suspeita que essas decisões não foram tomadas por critérios técnicos, mas por influência política e por uma relação próxima entre Daniel Vorcaro e Cláudio Castro. Os investigadores afirmam que mensagens encontradas no celular de Vorcaro indicam que alguns investimentos dependiam de um “alinhamento político” com o então governador.
A investigação também aponta que houve mudanças na direção do Rioprevidência pouco antes dos investimentos começarem. Segundo a PF, pessoas colocadas em cargos estratégicos teriam facilitado as aplicações mesmo sem análises técnicas adequadas e contrariando regras de segurança normalmente usadas para proteger o dinheiro da previdência.
Outro ponto investigado é a atuação de intermediários financeiros, como a Planner Corretora. A suspeita é que essas empresas tenham sido usadas para aumentar comissões e esconder possíveis pagamentos indevidos.
O Ministério Público Federal (MPF) afirma que existem indícios fortes de crimes como corrupção, gestão irregular de recursos públicos e possíveis crimes contra o sistema financeiro. Por isso, defendeu as buscas para recolher documentos, celulares, computadores e outras provas.
O ministro André Mendonça, do STF, destacou que as aplicações do RioPrevidência teriam sido feitas sem estudos técnicos adequados, com concentração excessiva de risco e em desacordo com as normas do fundo previdenciário.
Outros investigados
Além de Cláudio Castro, outros envolvidos foram alvos de mandados de busca e apreensão nesta terça-feira. Eles são:
- Ricardo Siqueira Rodrigues, apontado como um dos principais articuladores do esquema;
- Deivis Marcon Antunes, presidente do RioPrevidência na época;
- Eucherio Lerner Rodrigues, responsável pela área de investimentos do RioPrevidência;
- Pedro Pinheiro Guerra Leal, acusado de dar suporte técnico às operações;
- Fernanda Pereira da Silva Machado, suspeita de ter validado formalmente os credenciamentos do Banco Master e da Planner sem análises obrigatórias;
- E os endereços das empresas Mídias Promotoras Ltda. e Planner Corretora de Valores S.A.
Ricardo Siqueira Rodrigues é apontado como um dos principais articuladores do esquema. Segundo a investigação, ele fazia a ponte entre o banqueiro Daniel Vorcaro e autoridades públicas que tinham poder para decidir onde o dinheiro da previdência seria investido. A PF afirma que Ricardo dizia que resolveria os “trâmites internos” e que faltava apenas o “alinhamento político” para liberar os investimentos. Em mensagens encontradas pelos investigadores, ele também comemorava ter ajudado o banco a captar mais de R$ 1 bilhão em aplicações.
Deivis Marcon Antunes, que era presidente do Rioprevidência na época, é apontado como peça central para abrir espaço ao Banco Master dentro da fundação. Segundo a PF, ele participou diretamente das decisões que liberaram os investimentos, mesmo contrariando regras internas e normas de segurança financeira. Os investigadores também afirmam que ele compartilhava informações estratégicas sobre concorrentes do banco.
Outro alvo é Eucherio Lerner Rodrigues, responsável pela área de investimentos do Rioprevidência. A suspeita é que ele tenha sido o principal técnico por trás das aplicações consideradas irregulares. Ele aprovou credenciamentos do Banco Master e da Planner Corretora sem estudos técnicos adequados, sem avaliação de risco e sem comparar alternativas de mercado.
A PF também cita Pedro Pinheiro Guerra Leal, acusado de dar suporte técnico às operações. Ele ajudou a liberar investimentos que contrariavam regras da previdência, elaborou justificativas genéricas para as aplicações e participou do processo de credenciamento do Banco Master e da Planner.
Já Fernanda Pereira da Silva Machado é suspeita de ter validado formalmente os credenciamentos do Banco Master e da Planner, mesmo sem as análises obrigatórias. A PF diz que, em vez de atuar para fiscalizar e impedir irregularidades, ela teria ajudado a dar aparência de legalidade às operações.
A empresa Mídias Promotora Ltda. aparece na investigação como uma possível ferramenta para movimentar dinheiro do esquema. A empresa teria recebido comissões relacionadas à captação dos investimentos do Rioprevidência e poderia ter sido usada para esconder pagamentos indevidos e facilitar lavagem de dinheiro.
Outra empresa investigada é a Planner Corretora de Valores S.A., suspeita de ter sido usada como intermediária desnecessária nas operações, aumentando taxas de corretagem e ajudando a repassar dinheiro aos envolvidos. A PF afirma que não encontrou justificativas técnicas para o uso da corretora, já que o Rioprevidência já tinha contato direto com o Banco Master.
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