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Polícia

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Cláudio Castro é alvo de buscas da PF por aportes no Banco Master pelo Rioprevidência

Ex-governador do RJ é alvo de nova fase da operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro do STF André Mendonça

26 mai 2026 - 07h19
(atualizado às 11h41)
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Cláudio Castro é alvo de buscas da PF por aportes no Banco Master pela Rioprevidência:

O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) é alvo de uma nova fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF) nesta terça-feira, 26. A operação investiga aportes de recursos públicos no Rio de Janeiro em fundos ligados ao Banco Master.

De acordo com a PF, Castro transferiu um total de quase R$ 3 bilhões para o Master, de Daniel Vorcaro, em diferentes ocasiões.

Ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro
Ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro
Foto: Pedro Kirilos/Estadão / Estadão

O dinheiro partiu do Rioprevidência, fundo que gere benefícios de 235 mil aposentados e pensionistas do estado. A PF cumpre 10 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e Distrito Federal, expedidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O Terra tentou contato com o advogado de Cláudio Castro, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem.

CPI na Alerj

No início de maio, o deputado estadual Flávio Serafini (PSOL-RJ) anunciou que obteve assinaturas suficientes para abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), com o objetivo de investigar os investimentos no Master feitos pelo governo de Cláudio Castro. A CPI ainda não foi instalada.

Segundo os dados apresentados na Assembleia, o Rioprevidência investiu quase R$ 1 bilhão diretamente no Banco Master. Além disso, o fundo de previdência também aplicou cerca de R$ 1,6 bilhão em fundos administrados pela instituição financeira.

Segundo os deputados, parte do investimento foi feito mesmo depois de alertas do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), que proibiu novos aportes do Rioprevidência no banco.

A Cedae também realizou investimentos no Banco Master e os valores somam R$ 200 milhões.

Operação Compliance Zero

A Polícia Federal (PF) realiza nesta terça, 26, a oitava fase da Operação Compliance Zero, para apurar prática de crimes financeiros no âmbito do fundo Rioprevidência. Os mandados são cumpridos no RJ e DF.

Segundo a PF, a investigação é um desdobramento da Operação Barco de Papel que identificou aportes suspeitos do Rioprevidência em Letras Financeiras de banco privado que totalizaram cerca de R$ 970 milhões, entre outubro de 2023 e julho de 2024.

Nesta fase, são apuradas as aplicações de R$ 2,01 bilhões, a partir de julho de 2024, em fundos de investimentos do mesmo banco, totalizando cerca de R$ 3 bilhões transferidos do Rioprevidência.

Influência política e relação com Vorcaro

Foto de arquivo de 23/03/2026 do então governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, ao anunciar sua saída do governo durante coletiva de imprensa no Palácio Guanabara, sede do Governo
Foto de arquivo de 23/03/2026 do então governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, ao anunciar sua saída do governo durante coletiva de imprensa no Palácio Guanabara, sede do Governo
Foto: PEDRO KIRILOS/ESTADÃO CONTEÚDO/ESTADÃO CONTEÚDO

O Terra teve acesso ao documento expedido pelo STF que detalha a nova fase da Operação Compliance Zero. Segundo a investigação, entre 2023 e 2025, o Rioprevidência aplicou cerca de R$ 3 bilhões em produtos financeiros ligados ao Banco Master. Primeiro, o dinheiro foi colocado em Letras Financeiras do banco. Depois, quando surgiram dificuldades regulatórias para continuar esse tipo de operação, os recursos passaram a ser investidos em fundos ligados ao mesmo grupo.

A PF suspeita que essas decisões não foram tomadas por critérios técnicos, mas por influência política e por uma relação próxima entre Daniel Vorcaro e Cláudio Castro. Os investigadores afirmam que mensagens encontradas no celular de Vorcaro indicam que alguns investimentos dependiam de um “alinhamento político” com o então governador.

A investigação também aponta que houve mudanças na direção do Rioprevidência pouco antes dos investimentos começarem. Segundo a PF, pessoas colocadas em cargos estratégicos teriam facilitado as aplicações mesmo sem análises técnicas adequadas e contrariando regras de segurança normalmente usadas para proteger o dinheiro da previdência.

Outro ponto investigado é a atuação de intermediários financeiros, como a Planner Corretora. A suspeita é que essas empresas tenham sido usadas para aumentar comissões e esconder possíveis pagamentos indevidos.

O Ministério Público Federal (MPF) afirma que existem indícios fortes de crimes como corrupção, gestão irregular de recursos públicos e possíveis crimes contra o sistema financeiro. Por isso, defendeu as buscas para recolher documentos, celulares, computadores e outras provas.

O ministro André Mendonça, do STF, destacou que as aplicações do RioPrevidência teriam sido feitas sem estudos técnicos adequados, com concentração excessiva de risco e em desacordo com as normas do fundo previdenciário.

Outros investigados

O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) é alvo de buscas da Operação Compliance Zero, que está em sua oitava fase. (Foto de arquivo de 23/03/2026)
O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) é alvo de buscas da Operação Compliance Zero, que está em sua oitava fase. (Foto de arquivo de 23/03/2026)
Foto: PEDRO KIRILOS/ESTADÃO CONTEÚDO/ESTADÃO CONTEÚDO

Além de Cláudio Castro, outros envolvidos foram alvos de mandados de busca e apreensão nesta terça-feira. Eles são:

  • Ricardo Siqueira Rodrigues, apontado como um dos principais articuladores do esquema;
  • Deivis Marcon Antunes, presidente do RioPrevidência na época;
  • Eucherio Lerner Rodrigues, responsável pela área de investimentos do RioPrevidência;
  • Pedro Pinheiro Guerra Leal, acusado de dar suporte técnico às operações;
  • Fernanda Pereira da Silva Machado, suspeita de ter validado formalmente os credenciamentos do Banco Master e da Planner sem análises obrigatórias;
  • E os endereços das empresas Mídias Promotoras Ltda. e Planner Corretora de Valores S.A.

Ricardo Siqueira Rodrigues é apontado como um dos principais articuladores do esquema. Segundo a investigação, ele fazia a ponte entre o banqueiro Daniel Vorcaro e autoridades públicas que tinham poder para decidir onde o dinheiro da previdência seria investido. A PF afirma que Ricardo dizia que resolveria os “trâmites internos” e que faltava apenas o “alinhamento político” para liberar os investimentos. Em mensagens encontradas pelos investigadores, ele também comemorava ter ajudado o banco a captar mais de R$ 1 bilhão em aplicações.

Deivis Marcon Antunes, que era presidente do Rioprevidência na época, é apontado como peça central para abrir espaço ao Banco Master dentro da fundação. Segundo a PF, ele participou diretamente das decisões que liberaram os investimentos, mesmo contrariando regras internas e normas de segurança financeira. Os investigadores também afirmam que ele compartilhava informações estratégicas sobre concorrentes do banco.

Outro alvo é Eucherio Lerner Rodrigues, responsável pela área de investimentos do Rioprevidência. A suspeita é que ele tenha sido o principal técnico por trás das aplicações consideradas irregulares. Ele aprovou credenciamentos do Banco Master e da Planner Corretora sem estudos técnicos adequados, sem avaliação de risco e sem comparar alternativas de mercado.

A PF também cita Pedro Pinheiro Guerra Leal, acusado de dar suporte técnico às operações. Ele ajudou a liberar investimentos que contrariavam regras da previdência, elaborou justificativas genéricas para as aplicações e participou do processo de credenciamento do Banco Master e da Planner.

Operação da PF aponta envolvimento de Cláudio Castro com Daniel Vorcaro
Operação da PF aponta envolvimento de Cláudio Castro com Daniel Vorcaro
Foto: PEDRO KIRILOS/ESTADÃO CONTEÚDO/ESTADÃO CONTEÚDO

Já Fernanda Pereira da Silva Machado é suspeita de ter validado formalmente os credenciamentos do Banco Master e da Planner, mesmo sem as análises obrigatórias. A PF diz que, em vez de atuar para fiscalizar e impedir irregularidades, ela teria ajudado a dar aparência de legalidade às operações.

A empresa Mídias Promotora Ltda. aparece na investigação como uma possível ferramenta para movimentar dinheiro do esquema. A empresa teria recebido comissões relacionadas à captação dos investimentos do Rioprevidência e poderia ter sido usada para esconder pagamentos indevidos e facilitar lavagem de dinheiro.

Outra empresa investigada é a Planner Corretora de Valores S.A., suspeita de ter sido usada como intermediária desnecessária nas operações, aumentando taxas de corretagem e ajudando a repassar dinheiro aos envolvidos. A PF afirma que não encontrou justificativas técnicas para o uso da corretora, já que o Rioprevidência já tinha contato direto com o Banco Master.

Fonte: Portal Terra
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