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Delegado da PF detalha monitoramento de protestos durante visita do Papa

Anderson Bichara é um dos coordenadores do esquema de segurança do papa Francisco durante a Jornada Mundial da Juventude

19 jul 2013
06h00
atualizado às 06h00
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O telefone do delegado Anderson Bichara, da Polícia Federal, toca sem parar durante a entrevista. Ele é um dos coordenadores do esquema de segurança do papa Francisco durante a Jornada Mundial da Juventude, que começa na próxima segunda-feira no Rio de Janeiro, e o ritmo de trabalho dentro da Polícia Federal, na Praça Mauá, é frenético. Os 700 homens destacados pela PF - que vão ser os mais próximos do papa Francisco - já estão na cidade vindos de todo o País, principalmente de Belo Horizonte, Espírito Santo e Brasília.

“É prerrogativa da Polícia Federal a segurança dos chefes de Estado”, lembrou o delegado. Em entrevista ao Terra, Bichara disse que, independentemente dos protestos populares convocados ou dos que surjam, “tudo está pronto” e o esquema integrado montado vai ser fundamental para preparar o Brasil para a Copa do Mundo de 2014 e para os Jogos Olímpicos de 2016. Ele desconversou sobre o fato de aparentemente ser mais perigoso para o Papa ir à recepção no palácio do governo do Estado, onde ocorreram protestos recentemente, do que na comunidade de Varginha.

Terra: Tudo está pronto para o esquema de segurança da Jornada Mundial da Juventude?
Anderson Bichara
: É um trabalho em conjunto entre Forças Armadas, Forças de Segurança do Estado, órgãos municipais. Cada um tem sua parte de responsabilidade. Mas o modelo de segurança que estamos usando é um passo à frente na segurança pública do País, já que integra todas as informações de todas as forças no Centro Integrado de Comando e Controle.

Terra: Nessa reta final, qual a maior preocupação de vocês?
A.B.: Na verdade, a preocupação é com os locais onde o Papa vai estar, com os deslocamentos, mas, principalmente, com a segurança mais próxima dele, que é de nossa responsabilidade. Mas não podemos deixar de prestar atenção no maior volume de passageiros nos aeroportos, controle de armas e vigilância marítima, que são atribuições nossas também.

Terra: Dizem que o papa Francisco não gosta muito de seguranças e adora quebrar um protocolo. Há um limite para essa quebra?
A.B.: Nossa responsabilidade é a segurança pessoal do Papa. Fizemos dois treinamentos de uma semana cada com a segurança do Vaticano, lá em Roma. Eles são quem cuidam dele no dia a dia. Conhecem seus hábitos e tudo isso é trabalhado em conjunto aqui. Falamos dos riscos de cada situação. O que queremos é evitar qualquer tipo de contratempo, por isso a agenda toda foi trabalhada em conjunto.

Terra: Foi a Polícia Federal quem vetou a ida do Papa ao Cristo Redentor?
A.B.: Essa questão é por conta do Vaticano com a Casa Civil e o governo brasileiro. A Polícia Federal só cuida da parte técnica depois da agenda definida.

Terra: Alguma coisa no hábito do Papa chamou a atenção de vocês na preparação do esquema de segurança?
A.B.: A segurança sempre implica riscos e estamos informados de tudo.

Terra: No que se refere à segurança pessoal do Papa, em que ponto as manifestações convocadas e previstas preocupam a PF?
A.B.: As manifestações são tratadas como informes do serviço de inteligência. E utilizaremos a estratégia de acordo com a necessidade. O planejamento está sendo executado e vamos agir dentro da necessidade.

Terra: Parece que chegamos a um ponto no Rio de Janeiro em que preocupa menos o Papa ir em uma comunidade como Varginha, na favela de Manguinhos, do que no Palácio Guanabara, sede do governo.
A.B.: Não diria isso. Existem os protestos e eles vão ser considerados na medida em que se tornem uma ameaça concreta.

Terra: Há algum lugar que preocupe mais?
A.B.: Nossa preocupação é que ele possa chegar e sair em segurança. Todos os lugares são mapeados. Temos segurança fixa, aproximada, móvel, PM, guarda municipal e tudo sob vigilância.

Terra: O fato de não termos terrorismo no Brasil acende mais o alarme pela possibilidade de algum atentado contra a vida do Papa?
A.B.: Preocupação é sempre a mesma. 

 

 

Papa Francisco no Brasil
Com um público estimado em 1,5 milhão de pessoas, a Jornada Mundial da Juventude 2013 ocorre entre os dias 23 e 28 de julho, no Rio de Janeiro. O evento, realizado a cada dois ou três anos, promove um encontro internacional de jovens católicos o Papa. A última edição da JMJ ocorreu em 2011, em Madri, na Espanha, e reuniu cerca de 2 milhões de pessoas, de mais de 190 países.

O evento marca também a primeira grande visita internacional do papa Francisco desde sua nomeação como líder máximo da Igreja Católica, em 13 de março desde ano. O Pontífice chega ao Rio de Janeiro na tarde do dia 22 de julho, com retorno a Roma previsto para o dia 28. Sua agenda no Brasil contempla a visita à comunidade de Varginha, no complexo de Manguinhos, na zona norte do Rio, e ao Hospital São Francisco de Assis. Além disso, terá um encontro com a sociedade no Theatro Municipal, no centro da cidade, e ao Santuário de Aparecida, em São Paulo. O ponto alto fica por conta de duas grandes celebrações na praia de Copacabana, na zona sul do Rio, nos dias 25 e 26.

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Fonte: Terra
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