Marcos Goulart, neto de Jango, será candidato no Uruguai, ao cargo de "alcalde"
Foto: Denise Mota / Especial para Terra
Era agora ou nunca”, diz brincando Marcos Goulart, 33, sobre a possibilidade de dar ao filho o nome do avô, aproveitando-se da legislação uruguaia, que determina que o sobrenome do pai venha antes do da mãe, diferentemente do que acontece no Brasil.
Publicitário e jornalista, Marcos é gaúcho de Porto Alegre e mora há 22 anos no Uruguai. É filho de João Vicente Goulart, primogênito do ex-mandatário gaúcho, e, além de ter um restaurante especializado em tapas (típica iguaria espanhola), também se dedica à política. Ao lado da mulher, Carolina, será pai pela segunda vez e espera uma menina que deve nascer no final de maio. Desde 2011, é conselheiro municipal na região de Parque Rodó e outros seis bairros próximos ao centro de Montevidéu, e foi reeleito para exercer a mesma função até 2015. Seu trabalho é canalizar as queixas e necessidades da comunidade para que se transformem em soluções junto ao Executivo municipal. Sua ambição é chegar a “alcalde” (cargo que no Uruguai tem a função de administrar zonas municipais) a partir de 2015.
Como único parente mais próximo do ex-presidente no país, Marcos lerá uma mensagem da avó, Maria Thereza, na homenagem que a Câmara de Deputados do Uruguai fará a João Goulart no noite desta terça.
Afiliado ao Partido Nacional, de perfil conservador, e não à coalizão esquerdista Frente Ampla (que governa o país e também a capital), Marcos não vê uma contradição entre a trajetória pública de seu avô e sua escolha política. Diz que, pelo contrário, essa é a opção que melhor representa a posição que João Goulart teria hoje. “Meu avô estava longe de ser algo como Chávez ou Cristina Kirchner. Era de esquerda, mas tinha fazenda, o pai foi coronel. A luta dele sempre foi contra os Estados Unidos e a favor das empresas nacionais. A história é contada dependendo do que cada um olha”, afirma ao Terra.
“Meu avô foi um dos maiores proprietários de terra do Brasil e estava a favor da reforma agrária. Jango não quis enfrentar os militares, tinha um caráter conciliador, o que é uma das diferenças com relação à Frente Ampla”, considera, ao comparar o histórico do avô com o passado combativo, por exemplo, do presidente José “Pepe” Mujica, ex-integrante do movimento de guerrilha urbana Tupamaros.
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Para as próximas eleições presidenciais, em 26 de outubro deste ano, Goulart apoia o pré-candidato Jorge Larrañaga, senador que, se vencer as eleições internas da sua agrupação, disputará o cargo pela segunda vez. “Tenho a esperança de poder representar o meu avô dentro do Partido Nacional, com essa visão, que não é de direita. Ele era muito conhecido no Uruguai.”
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