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"Não é atitude de presidente", diz Macron sobre Bolsonaro

9 set 2019
12h34
atualizado às 13h42
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Vídeo mostra conversa no G7 em que francês desabafa e reclama de comportamento do governante brasileiro diante de outros líderes. Presidente do Chile e Merkel concordam com indignação do chefe de Estado europeu.Um programa da televisão francesa sobre os bastidores da cúpula do G7 em Biarritz, na França, flagrou um momento em que o presidente francês, Emmanuel Macron, critica duramente o presidente Jair Bolsonaro em conversa com o presidente do Chile, Sebastián Piñera, e a chanceler federal alemã, Angela Merkel, durante um encontro em agosto.

"Claro, eu tinha que reagir", diz Macron, após Piñera interpelar o francês a respeito de Bolsonaro. O chileno dizia ser "inacreditável" algo aparentemente relacionado a comentários feitos pelo presidente brasileiro. "Você entende [que eu tinha que reagir]?", pergunta o francês. O chefe de Estado chileno responde: "Sim, eu concordo."

Macron continua: "Eu queria ser muito pacífico, ser construtivo com o cara e respeitar a sua soberania; tudo bem. Mas eu não posso aceitar isso." Merkel, que estava ouvindo a conversa, balança a cabeça e concorda com o presidente francês.

"Você sabe o que ele fez quando o meu ministro do Exterior foi ao país dele?", prossegue Macron, ainda falando com Piñera. "Ele deveria recebê-lo e cancelou no último minuto para cortar o cabelo. E filmou a si mesmo. Desculpa, mas isso não é atitude de um presidente", completa o francês.

Macron se referia a uma situação ocorrida em julho, quando Bolsonaro cancelou um encontro com o ministro francês Jean-Yves Le Drian, em Brasília, e transmitiu uma live no barbeiro no mesmo horário em que a reunião deveria ocorrer.

A conversa entre Macron e Piñera é parte de um programa do canal francês CNews transmitido na semana passada. O vídeo foi compartilhado nesta segunda-feira (09/09) pelo blog do jornalista Jamil Chade no portal Uol.

O diálogo ocorreu num almoço durante a cúpula do G7 em 26 de agosto, logo após a entrevista coletiva conjunta de Macron e Piñera, na qual o líder francês lamentou comentários sobre sua mulher endossados em uma rede social por Bolsonaro. Na ocasião, ele disse esperar que os brasileiros "tenham logo um presidente à altura do cargo".

"Ele fez alguns comentários extraordinariamente desrespeitosos sobre a minha esposa", frisou Macron na coletiva em agosto. "O que posso dizer? É triste, é triste para ele, primeiramente, e para os brasileiros."

Dias antes, Bolsonaro endossara uma postagem de um seguidor no Twitter com comentários ofensivos sobre a aparência de Brigitte Macron, sugerindo que o francês teria "inveja" de Bolsonaro. A postagem trazia uma foto de Macron com a primeira-dama e, logo abaixo, uma de Bolsonaro e sua mulher, Michelle, com a seguinte legenda: "Entende agora por que Macron persegue Bolsonaro?".

O perfil oficial do presidente brasileiro respondeu ao seguidor afirmando: "Não humilha cara. Kkkkkkk." O comentário em linguagem informal ganhou enorme repercussão, inclusive na imprensa francesa, que acusou Bolsonaro de sexismo.

"Penso que as mulheres brasileiras têm, sem dúvida, vergonha de ver isso de seu presidente. Penso que os brasileiros, que são um grande povo, têm um pouco de vergonha de ver esse comportamento. Eles esperam, quando se é presidente, que se comporte bem em relação aos outros", disse Macron na ocasião.

Devido ao desmatamento e às queimadas na Amazônia, Bolsonaro se tornou nas últimas semanas alvo de pesadas críticas de políticos europeus e se envolveu numa prolongada troca de farpas com Macron, que acusou o brasileiro de mentir sobre suas políticas ambientais durante o G20 em junho, no Japão, quando foi concluído o pacto comercial entre o Mercosul e a UE.

Já Sebastián Piñera é um dos principais aliados de Bolsonaro na América do Sul. Na semana passada, entretanto, o presidente do Chile condenou os ataques de Bolsonaro a Michelle Bachelet, alta comissária da ONU para os Direitos Humanos e ex-presidente do Chile, e ao pai dela, um militar que foi preso, torturado e morto sob o regime de Augusto Pinochet.

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