Ministério: mortes no trânsito caem 6,2% no 1° ano da Lei Seca
O Ministério da Saúde divulgou nesta sexta-feira, no Rio de Janeiro, um balanço de mortes no trânsito após a entrada em vigor da Lei Seca, em junho de 2008. De acordo com a pesquisa, houve redução de 6,2% no número de vítimas fatais de acidentes do início da lei até junho de 2009.
A comparação foi realizada com o período de um ano antes da entrada em vigor. A redução representa 2.302 óbitos a menos no trânsito em todo o País, com redução de 37.161 para 34.859.
Outro índice analisado foi o risco de morrer de acidentes de trânsito no Brasil. A taxa é calculada pela divisão do número de óbitos no trânsito em cada grupo de 100 mil habitantes. Neste indicador, o País registrou redução de 7,4%. A taxa caiu de 18,7 mortes por 100 mil habitantes para 17,3 por 100 mil habitantes.
"Durante décadas o Brasil tentou enfrentar a tragédia do trânsito com armas convencionais, priorizando a conscientização. A sociedade precisava de um pai, e o pai veio com a lei, que impõe regras e dá limites", disse o chefe da pasta, ministro José Gomes Temporão.
O ministério destacou 17 Estados que tiveram maior redução nas mortes. Os oito primeiros são Rio de Janeiro, com queda de 32%, Espírito Santo, com 18,6%, Alagoas, com 15,8%, Distrito Federal, com 15,1%, Santa Catarina, com 11,2%, Bahia, com 8,6%, Paraná, com 7,7%, e São Paulo, com 7%.
O ministro citou o Rio como exemplo, Estado com maior redução nas mortes. "Temos que usar a lei em todo seu rigor, fazer como o Rio de Janeiro está fazendo: presença nas ruas, educação, informação, bafômetro, multa e repressão. Só assim nós vamos construir uma nova conscientização de motoristas, de que bebida e direção não funcionam nunca", afirmou.
Álcool e direção
A frequência de pessoas que dirigem após consumo abusivo de álcool passou de 2,1%, em 2007, para 1,4%, em 2008, e aumentou para 1,7%, em 2009, segundo dados do Vigitel, inquérito telefônico do Ministério da Saúde que monitora os fatores de risco para doenças e agravos à saúde da população.
Segundo o estudo, o comportamento de risco é maior entre homens. Em 2007, o percentual de homens que disseram ter dirigido após consumo abusivo de álcool era de 4,1%. O índice caiu para 2,8%, em 2008, e aumentou para 3,3%, em 2009. Nas capitais, os maiores percentuais entre os homens foram registrados em Aracaju (8,7%), Teresina (5,9%) e Rio Branco (5,5%). As mulheres, por outro lado, apresentam frequência bastante abaixo da registrada pelos homens, mantendo-se estável desde nos últimos três anos, variando entre 0,2% e 0,3%.
A pesquisa aponta, ainda, que os adultos de 25 a 34 anos (2,1%) e de 35 a 44 anos (2%) são os que mais dirigem após beber, enquanto que, entre os jovens de 18 a 24 anos, esse índice é de 1,8%.
Pela lei, motoristas flagrados excedendo o limite de 0,2 g de álcool por litro de sangue estão sujeitos a multa de R$ 957, perda da carteira de motorista por um ano e apreensão do carro. Medida acima de 0,6 g de álcool por litro de sangue é considerado crime e pode levar à prisão.