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Máquina de body scan 'despirá' suspeitos em aeroporto de PE

15 mai 2010 - 21h41
(atualizado às 22h02)
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Celso Calheiros
Direto do Recife

O Aeroporto Internacional do Recife colocou em funcionamento um equipamento capaz de escanear uma pessoa e detectar se ela carrega explosivos, ingeriu cápsulas com drogas, porta alguma arma ou mesmo esconde dinheiro. O body-scan, como o aparelho é conhecido, utiliza raio x da mesma forma como é feita a visualização do conteúdo das bagagens que os passageiros levam para o embarque. A diferença é que ele permite ver a pessoa através da roupa e da pele.

Por meio de raio X, agentes da PF identificam se passageiros portam armas ou drogas
Por meio de raio X, agentes da PF identificam se passageiros portam armas ou drogas
Foto: Celso Calheiros / Especial para Terra

A polêmica em torno do body-scan é conhecida. Quem não teme ser virtualmente despido ou mesmo se constrange com a ideia? A situação é minimizada pela Polícia Federal, encarregada de utilizar os aparelhos nos quatro aeroportos onde eles estarão em funcionamento (além do Recife, no Aeroporto do Galeão, Rio; no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo; e no Aeroporto de Manaus, no Amazonas).

"Apenas pessoas que levantarem suspeitas fundamentadas serão convidadas a passar no body-scan", afirma Paulo de Tarso, superintendente em Pernambuco. Além disso, a utilização do equipamento é rápida, individual e reservada, feita por agente do mesmo sexo do suspeito.

Quem quiser, poderá se recusar a atravessar um portal que lembra um grande aparelho de raio X hospitalar, afirma o delegado regional Marcello Diniz Cordeiro, especializado no combate ao crime organizado. No entanto, não poderá fugir da revista tradicional, mais constrangedora e mais demorada que os seis segundos que uma pessoa leva na esteira rolante do body-scan. "A depender do nível de suspeita, a pessoa tem de tirar toda a roupa e muitas vezes perde o voo", diz o delegado.

Segurança
Os quatro body-scan que até o fim do mês estarão em operação nos quatro aeroportos internacionais brasileiros foram doados pelo governo americano. Cada máquina representa um investimento superior a R$ 1,3 milhão. Os aparelhos são alemães, da marca Smiths Heimann.

Antes de começarem a funcionar no Brasil, os equipamentos foram inspecionados pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), que atestou serem inofensivos à saúde humana. "Durante os voos, por estar em elevadas altitudes, os passageiros recebem mais radiação do que a emitida pelo body-scan", afirma Paulo de Tarso.

O próprio superintendente da PF em Pernambuco testou o aparelho. Vestido com terno e gravata, a imagem da sua estrutura orgânica e óssea no aparelho permitiu identificar detalhes do que levava no corpo, como o distintivo da Polícia Federal, celular, relógio, caneta, chaves, a pistola Glock, munição sobressalente, fivela do cinto e mesmo seu esqueleto.

Embaraço
A ideia de passar por um aparelho e ser desnudada desagrada Andressa Fernandes, 29 anos. Embora concorde com as medidas de segurança, considera a hipótese de passar pelo body-scan constrangedora. "É muito invasivo", afirma. Diferente pensa o seu namorado, Ricardo Carle da Silva, 28 anos. "Revistas são normais, não tem nenhum problema."

A turista Rogéria Amaral, 50 anos, concorda com a necessidade de segurança nos aeroportos e diz que os métodos tradicionais de revista são falhos, e por isso o body-scan é, em sua opinião, adequado. "Os aeroportos brasileiros são de muito pouco movimento se considerarmos os aeroportos de Nova York e Chicago, por exemplo." Rogéria critica apenas a possibilidade dos agentes gravarem a imagem das pessoas que se submetem ao body-scan. "O ideal seria a imagem servir apenas para a revista", diz.

Utilidade
Equipamentos semelhantes são utilizados em vários países para reforçar a segurança em portos, aeroportos, estações ferroviárias e presídios, tais como os do Reino Unido, Peru, Equador, Argentina, Chile, e Colômbia.

A Polícia Federal negocia a compra de dois aparelhos para atender a outros dois aeroportos brasileiros como parte da estratégia de aperfeiçoamento da segurança do transporte aéreo e preparação do País para a realização da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016.

Fonte: Especial para Terra
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