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Lula diz que proibiu assessor do governo Trump de vir ao Brasil e visto é revogado

13 mar 2026 - 12h37
(atualizado às 17h13)
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O presidente Luiz Inácio Lula ‌da Silva disse nesta sexta-feira que proibiu a vinda ao Brasil do assessor do Departamento de Estado dos Estados Unidos Darren Beattie, um dos expoentes da extrema-direita norte-americana, que pretendia visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão.

Após a declaração de Lula, feita durante discurso em evento no Rio de Janeiro, o Itamaraty confirmou a revogação do visto de Beattie. Anteriormente, uma fonte ligada à política externa do governo brasileiro havia dito à Reuters que o visto seria cancelado.

"O ⁠Itamaraty confirma a revogação do visto, tendo em conta a omissão e falseamento de informações relevantes quanto ao motivo da visita ‌por ocasião da solicitação do visto, em Washington. Trata-se de princípio legal suficiente para a denegação de visto, de acordo com a legislação nacional e internacional", disse o Itamaraty, em resposta a um questionamento da Reuters.

Durante o evento ‌no Rio de Janeiro nesta sexta-feira, Lula afirmou que a proibição da ‌entrada do representante do governo norte-americano valerá até que os EUA desbloqueiem o visto de entrada nos Estados ⁠Unidos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e da família dele.

"Aquele cara americano que disse que vinha para cá visitar o Jair Bolsonaro foi proibido de visitar, e eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberar o visto do meu ministro da Saúde que está bloqueado", disse Lula, ao lado de Padilha, ao participar da inauguração de uma ala hospitalar.

Em agosto do ano passado, o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, revogou o visto de Padilha, de ‌sua esposa e de sua filha menor de idade, entre outros, alegando cumplicidade com o trabalho forçado do governo cubano por ‌meio do programa Mais Médicos do ⁠Brasil.

OBRIGAÇÃO LEGAL

Ao pedir o visto, ⁠Beattie alegou que teria encontros oficiais com autoridades brasileiras, mas o governo norte-americano só pediu encontros com o governo brasileiro no dia ⁠11 de março, após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes ‌questioná-lo sobre sua agenda completa no ‌país. Moraes é relator da execução penal envolvendo o ex-presidente, que cumpre pena por tentativa de golpe de Estado e outros crimes relacionados em uma sala de Estado-Maior do Batalhão da Polícia Militar no Complexo Penitenciário da Papuda.

O assessor chegaria ao Brasil no início da próxima semana e pretendia visitar o ex-presidente na prisão, mas ⁠o pedido para se reunir com o ex-mandatário foi rejeitado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, na quinta-feira.

A decisão levou em consideração ofício do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, apontando que a visita poderia configurar interferência de outro país em assuntos internos do Brasil, especialmente em ano eleitoral.

O assessor do governo Trump também tinha em sua agenda reuniões com representantes da oposição brasileira, entre eles o ‌senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho do ex-presidente, e também participaria em São Paulo de um evento sobre minerais críticos promovido pela embaixada dos EUA no Brasil.

Beattie foi nomeado há duas semanas para um ⁠cargo graduado do Departamento de Estado norte-americano encarregado de supervisionar assuntos relacionados ao Brasil, conforme revelou a Reuters. Ele é bastante próximo do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, também filho do ex-presidente, e do ativista de extrema-direita Paulo Figueiredo, sendo o principal contato de ambos dentro do governo dos EUA.

Uma outra fonte relatou anteriormente à Reuters que as informações que haviam chegado ao governo brasileiro eram de que a agenda de Beattie se concentraria em encontros com a extrema-direita, e não haveria interesse em reuniões com o governo brasileiro.

A revogação do visto ocorre em um momento em que o Brasil vê uma melhoria na relação com os EUA pela abertura de diálogo entre Lula e Trump, ao mesmo tempo em que a agenda de Beattie no país incomodou o governo brasileiro.

O Brasil considera que há grupos divergentes dentro do governo Trump que, mesmo com a aproximação entre os dois presidentes, trabalham para minar as negociações entre os países, de olho nas eleições presidenciais deste ano no Brasil.

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