Governo brasileiro diz não haver movimentação anormal na fronteira com a Venezuela
Ministra interina das Relações Exteriores confirmou que não há brasileiros entre as vítimas dos ataques dos EUA contra a Venezuela
A ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, confirmou neste sábado, 3, que não há movimentação anormal na fronteira do Brasil com a Venezuela, após os ataques dos Estados Unidos. Ela também declarou que não há brasileiros entre as vítimas dos ataques dos Estados Unidos contra o país vizinho na madrugada.
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A declaração foi dada após reunião ministerial de emergência, convocada pelo governo brasileiro. O encontro foi coordenado por videoconferência por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que está viajando de férias no Rio de Janeiro.
"O ministro da Defesa indicou não haver movimentação anormal na fronteira do Brasil com a Venezuela, que seguirá sendo monitorada e que está em contato com o governador de Roraima. O ministro das Relações Exteriores relatou os contatos que manteve com seus homólogos nas últimas horas e indicou não haver até o momento notícias de brasileiros entre possíveis vítimas dos ataques”, afirmou Maria Laura em uma coletiva.
Ainda segundo Maria Laura, o ministro Mauro Vieira está em contato com a Embaixada do Brasil na Venezuela para o acompanhamento da situação interna. Uma nova reunião está marcada para ocorrer na tarde deste sábado.
Captura de Maduro
O ataque promovido pelos Estados Unidos à Venezuela culminou na captura do chefe de Estado venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. O bombardeio aéreo ocorreu em pontos de Caracas, capital da Venezuela, e também nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, a partir das 2h (6h de Brasília). O Fuerte Tiuna, o maior complexo militar do país e sede do Ministério da Defesa, foi visto em chamas em chamas após os ataques.
A informação foi confirmada em sua rede social, a Truth Social."Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado, juntamente com sua esposa, e retirado do país por via aérea. Essa operação foi realizada em conjunto com forças de aplicação da lei dos Estados Unidos".
Mais cedo, Lula afirmou que é uma afronta gravíssima à soberania', em um comunicado publicado no X. “Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, escreveu.
Lula declarou que atacar países, “em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”, e reforçou que o Brasil mantém a posição de condenar o uso de força em situações recentes em outros países e regiões.
“A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz", declarou. O chefe de Estado brasileiro também enfatizou que comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. “O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação”, finaliza.