Gasolina está 35% mais cara do que no governo Dilma; entenda
Cálculo, com valores corrigidos pela inflação acumulada, indicam que valor do litro do combustível em relação ao mínimo também aumentou
Após o mega-aumento no preços dos combustíveis anunciados pela Petrobras no último dia 10, o litro da gasolina já é vendido acima de R$ 8 no País, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) atualizados nesta quarta-feira, 23. Mas afinal, o preço da gasolina no governo Jair Bolsonaro pesa mais no bolso do brasileiro do que na época do governo Dilma Rousseff? A resposta é sim, mas há muitos fatores que influenciam no valor.
Entre as principais composições do preço final da gasolina comum estão a inflação acumulada, a cotação do petróleo e o preço do dólar, por exemplo. Os economistas Luciano Simões e Alberto Ajzental, professor do curso de Economia da Fundação Getúlio Vargas, fizeram os cálculos com a reportagem do Terra.
Durante a gestão de Dilma Rousseff, o litro da gasolina comum atingiu seu valor mais caro em março de 2016, quando custou, em média, R$ 3,73. Corringindo o valor pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), esse valor corresponderia a R$ 5,05 atualmente. A média do preço da gasolina comum neste mês de março, segundo a ANP, está em R$ 6,86 por litro — valor cerca de 35% maior do que o registrado há seis anos.
Peso maior no salário mínimo
Seguindo a proporção de comparação entre os valores dos dois governos, o brasileiro precisou gastar R$ 186,50 (R$ 3,73/litro) para encher o tanque em 2016, considerando a capacidade total de 50 litros de combustível. Isso representava 21,19% do salário mínimo da época, que era de R$ 880.
Hoje, é necessário desembolsar R$ 343 (R$ 6,86/litro) para encher o mesmo tanque. O valor corresponde a 28,3% do salário mínimo atual, fixado em R$ 1.212.
Petróleo também ficou mais caro
O mestre em Economia Alberto Ajzental reforça a importância de levar em consideração, também, a alta nos preços do petróleo Brent. O óleo é usado na produção da gasolina comum e referência nos mercados europeu e asiático.
Em março de 2016, o petróleo Brent chegou a ser vendido por US$ 40,54. Na cotação da época, de R$ 3,60, o barril custava R$ 146,23. Quando corrigido pela inflação dos Estados Unidos no período, esse valor equivaleria a US$ 47,92.
No fim de fevereiro deste ano, o barril chegou ao seu pico, sendo negociado a US$ 103,08 – equivalente a R$ 529,73, com o dólar a R$ 5,13. Então, mesmo que os preços da gasolina tenham superado a alta da inflação no Brasil desde 2016, o petróleo também ficou muito mais caro no mercado internacional.
Crise e guerra afetam preços
O economista Luciano Simões conclui que a gasolina do governo Bolsonaro realmente está mais cara. Por outro lado, ele pondera que as circunstâncias do momento podem influenciar nos preços.
"Vale lembrar que estamos passando por uma crise de preços do petróleo, da qual a guerra da Rússia fez o petróleo subir mais de 36% desde janeiro deste ano", acrescenta.