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Fumaça da iminente temporada de incêndios na Amazônia somada ao coronavírus pode ser "um desastre"

20 abr 2020
14h00
atualizado às 14h09
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Por Mauricio Angelo

Funcionário do Ibama tenta controlar pontos críticos de incêndio nas terras índigenas de Tenharim Marmelos, na Amazônia
15/09/2019
REUTERS/Bruno Kelly
Funcionário do Ibama tenta controlar pontos críticos de incêndio nas terras índigenas de Tenharim Marmelos, na Amazônia 15/09/2019 REUTERS/Bruno Kelly
Foto: Reuters

BRASÍLIA (Thomson Reuters Foundation) - O desmatamento da Amazônia aumentou mais de 50% nos três primeiros meses de 2020 na comparação com 2019, e como detritos da floresta provavelmente serão queimados a partir do mês que vem a região pode ter uma temporada de incêndios ainda pior do que a do ano passado, disseram pesquisadores.

Como o país já enfrenta um surto de coronavírus, uma doença que afeta a respiração, uma temporada de muita fumaça pode ser desastrosa, disseram.

"O que foi desmatado ilegalmente na estação de chuvas será queimado na estação de seca para limpar o terreno", explicou Claudia Azevedo-Ramos, pesquisadora do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da Universidade Federal do Pará.

"Há alta probabilidade de vivenciarmos queimadas tão ou mais graves do que aquelas que enfrentamos em 2019."

A quantidade de incêndios na floresta tropical amazônica aumentou 30% no ano passado em relação ao ano anterior, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em janeiro.

Neste ano, o Pará registrou um aumento de mais de 240% no desmatamento entre janeiro e março na comparação com 2019, quando o Estado já havia sido duramente atingido pelas chamas.

Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas, uma parceria que valida alertas de desmatamento no Brazil, disse que o surto de coronavírus levou o país a reduzir os esforços de proteção da Amazônia.

Com o início da estação seca em maio na região, os incêndios provavelmente serão maiores e mais destruidores do que em 2019, alertou Azevedo, que também coordena a Rede SEEG, que faz estimativas das emissões de gases de efeito estufa.

No ano passado, a fumaça dos incêndios da Amazônia chegou a grandes cidades brasileiras, causando dificuldades respiratórias. Neste ano, como país já enfrenta uma epidemia de vírus caracterizada por dificuldades respiratórias, a situação pode ser pior, disse.

"Todo o esforço para parar a questão do fogo será fundamental", afirmou ele, acrescentando que a combinação dos incêndios e do vírus será "um desastre sem tamanho".

As equipes que realizam o desmatamento "não estão de quarentena e aproveitam a situação para a intensificação das atividades ilegais", acrescentou Azevedo-Ramos.

No todo, a região amazônica teve mais de 3.700 casos do vírus e mais de 200 mortes até agora.

A pesquisadora é enfática ao afirmar que as autoridades brasileiras precisam deixar claro que um aumento no desmatamento da Amazônia não será tolerado.

Mas o presidente Jair Bolsonaro tem pressionado pelo desenvolvimento em terras indígenas, inclusive na Amazônia, e em fevereiro apresentou um projeto de lei ao Congresso que abriria reservas florestais indígenas para mineração e agricultura comercial.

Enquanto as autoridades não reprimirem severamente o desmatamento e as punições permanecerem fracas para os capturados, "estaremos em desvantagem nesta guerra" para conter as perdas florestais, disse Claudia Azevedo-Ramos.

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