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"Mensagem de amor gerou ódio", diz transexual crucificada

Viviany Beleboni, responsável pela polêmica encenação na Parada LGBT, disse estar recebendo ameaças

9 jun 2015
12h49
atualizado às 13h04
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Muito se falou a respeito da encenação da modelo transexual crucificada no alto de um trio elétrico da 19° edição da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, realizada no último domingo (7). Mas pouco se disse sobre a responsável por ela, a atriz Viviany Beleboni, de 26 anos. Desde que realizou a intervenção, ela tem sido constantemente ameaçada por telefone e internet. Até o número que usava para negociar trabalhos em eventos teve que ser desligado. Demonstrações de ódio causadas por um ato que, segundo ela, tinha apenas uma mensagem de amor.

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Em entrevista ao Terra, Viviany contou que em nenhum momento quis afrontar alguma religião. Até porque ela, que se define como espírita, também acredita em Deus. O intuito da cena, montada em cima do carro da organização não governamental Ação Brotar pela Cidadania e Diversidade Sexual (ABCDS), foi representar o sofrimento de gays, lésbicas, bissexuais, trangêneros, travestis e transexuais que são violentados no Brasil. 

Imagem da cena de Vivyane; placa levava a mensagem "Basta de Homofobia"
Imagem da cena de Vivyane; placa levava a mensagem "Basta de Homofobia"
Foto: Instagram / Reprodução

"Posso garantir que não teve nenhum caráter religioso. O que eu quis dizer é que as minorias sempre foram crucificadas. Há alguns dias, uma amiga minha travesti morreu levando seis tiros no Rio Grande do Sul. Em São Paulo, tivemos o caso da Verônica recentemente. E isso acontece todo dia. As pessoas estão morrendo. Foi isso que eu quis dizer. Quis mostrar, para quem não conhece nossa realidade, o preconceito que existe. Quis passar amor. As pessoas não estão acostumadas com a realidade. Quando a vêem, se chocam", afirmou. 

A atriz relatou à reportagem alguns dos casos de agressão que já sofreu. E a onda de violência começou cedo, ainda na escola, quando, perseguida pelos colegas, era obrigada a se esconder sempre que não estava dentro da sala de aula para não apanhar por ser "viadinho". Quando era agredida, não contava para os pais por medo de não ser mais amada por eles. 

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"Sempre foi difícil, desde a infância. Mas aprendi a me defender. Não me escondo mais. As pessoas não podem ser maldosas para sempre. Não consigo entender. Como alguém pode usar Deus como desculpa para fazer esse tipo de coisa? Para agredir, ofender? Por isso temos que protestar. Parada Gay não é Carnaval fora de época, é protesto. Não temos leis no País para punir a violência que sofremos. Quis chamar a atenção para tudo isso e acabei sendo extremamente mal-interpretada", disse. 

Mesmo em meio às críticas que têm recebido de religiosos mais conservadores, Viviany tem o apoio da ABCDS, ONG responsável pelo trio da encenação. "Não entendi essa repercussão. Deixamos claro que não tivemos intenção religiosa nenhuma. A Parada é um ato político! O que a Viviany fez foi abrir os olhos de todos para os LGBTs que estão desaparecendo, estão morrendo, sem explicação. Parada não é só para 'gogoboy' de sunga. É para mostrar reivindicações e cobrar soluções das autoridades", declarou Marcelo Gil, um dos porta-vozes da entidade.

Fonte: Terra
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