vc repórter: vereadores de Limeira aprovam reajuste de 103%
A votação, ocorrida em uma sessão tumultuada na última segunda-feira (6), aprovou o aumento de R$ 6.223,15 para R$ 12.632,69 a partir da próxima gestão
Numa sessão conturbada na última segunda-feira (6), a Câmara Municipal de Limeira, interior de São Paulo, aprovou um projeto de lei que aumenta o salário dos vereadores em 103%. A renumeração atual da Casa é de R$ 6.223,15 e subirá para R$ 12.632,69 a partir da próxima gestão, em 2017.
O aumento dos salários foi aprovado por 11 votos a seis. Os vereadores Antônio Franco de Moraes, o Toninho Franco (PR), Edivaldo Soares de Antunes, o Dinho (PSB), Erika Tank (Pros), José Couto de Jesus, o Totó do Gás (PSC), José Eduardo Monteiro Júnior, o Jú Negão (PSB), José Farid Zaine (Pros), José Roberto Bernardo, o Zé da Mix (PSD), Lucineis Aparecida Bogo, a Lu Bogo (PR), Dra. Mayra Costa (PPS), Nilton Santos (PRB), e Sidney Pascotto, o Lemão da Jeová Rafá (PSC), votaram a favor.
Já Aloizio Marinho de Andrade (PT), André Henrique da Silva, o Tigrão (PMDB), Darci Reis (PR), Érika Monteiro (PT), Jorge de Freitas (Solidariedade),e Luis Fernando Silveira, o Luisinho da Casa Kühl (PSDB) foram contrários ao projeto. Os vereadores Ronei Costa Martins e Wilson Nunes Cerqueira (ambos do PT) não votaram.
A sessão, presidida pelo vereador Dr. Júlio (Democratas), contou com presença de manifestantes que eram contra a proposta e não concordavam com o regime de urgência com que foi tratada a pauta. Esse foi um dos motivos para que o vereador Wilson Nunes também se posicionasse contra o projeto.
“Vamos estudar a possibilidade de entrar na Justiça contra essa proposta. Não havia condições de dar sequência à sessão e nem motivos para ser tratada com urgência. Não tinha segurança e não dava para ouvir os votos”, declarou o vereador.
Nilton Santos (PRB), presidente da Mesa Diretora e autor do projeto, rebate as acusações. "Seguimos o regimento da Casa. O assunto foi pautado em 2013 e precisávamos terminar a sessão até a meia-noite", disse.
O vereador petista reconhece que não há motivos para um aumento acima da inflação. "Nenhum setor no Brasil recebeu um reajuste como esse”, disse. O vereador do PRB se defende afirmando que "o valor não causa dano ao orçamento da cidade".
Eleição Viciada
Graças ao tumulto causado pelos manifestantes, houve reclamações de que não era possível acompanhar a votação. Wilson Nunes cita o exemplo do vereador Toninho Franco (PR) que teria votado contra a proposta, mas seu voto foi computado como a favor. "Temos o apoio do vereador Toninho contra essa votação”, afirmou.
Porém, essa versão não é confirmada pelo presidente da Mesa. "Ele (Toninho) votou contra o regime de urgência da votação, mas votou a favor da proposta do reajuste”, disse.
O Terra tentou entrar em contato com a assessoria do vereador Toninho Franco, que respondeu que ele não conseguiria atender à reportagem por questões de agenda.
Reajuste somente na próxima gestão
Pela Constituição, nenhum parlamentar pode aumentar seu próprio salário. Sendo assim, somente os vereadores eleitos em 2016 serão renumerados com os valores aprovados nesta semana.
Wilson Nunes falou à reportagem do Terra que acredita que a votação foi baseada num “acordo” entre os vereadores de Limeira com Nilton Santos, a fim de justificar sua eleição para a mesa diretora. O vereador por sua vez minimiza a acusação. "Quando a proposta entrou em pauta eu nem era eleito, e nada garante que eu esteja quando o aumento estiver em rigor”, alegou.
Nilton Santos atendeu à reportagem no fim da tarde desta quinta-feira (9). O vereador disse que haveria ainda nesta data a votação do aumento do salário do prefeito e das secretarias. "O prefeito da cidade já recebe mais de R$ 14 mil e ainda votaremos um reajuste de 7%. Todo mundo ganha bem, menos os vereadores”, finalizou.
O leitor Reginaldo Mantovan, de Limeira (SP), participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui ou envie pelo aplicativo WhatsApp, disponível para smartphones, para o número +55 11 97493.4521.