vc repórter: diário registra "idas e vindas" de moradores de rua em SP
A movimentação de moradores de rua no centro de São Paulo pode surpreender: as idas e vindas das pessoas que utilizam as calçadas como moradia, as abordagens policiais e os caminhos alternativos que os pedestres adotam, são apenas alguns capítulos de uma história que se repete todos os dias. Da janela de um escritório na rua Sete de Abril, a advogada Luciana Mdo criou um diário contando um pouco de cada episódio, com imagens que mostram a realidade até certo ponto assustadora da região.
Desde que as ações de desocupação na região da Cracolândia começaram, em janeiro deste ano, a presença de moradores de rua na Sete de Abril aumentou consideravelmente. O uso de drogas é comum. E as imagens registradas por Luciana mostram situações curiosas, como a calçada da via lotada de papelões usados como colchões, obrigando os pedestres a desviar pela rua.
Em outra ocasião, no dia 25 de abril, a rua foi fotografada após limpeza, às 11h, vazia. Às 12h, os moradores estavam de volta, com cobertores e papelões ocupando o espaço das calçadas. Três horas depois, a Polícia Militar esteve no local para retirá-los. Às 15h30, todos estavam de volta, como se nenhuma abordagem tivesse sido realizada.
De acordo com a Secretaria Municipal de Assistência Social, nos últimos 50 dias, em toda a região dos bairros da Sé e República, com a rua Sete de Abril inclusa, foram realizadas 2103 abordagens e 1256 encaminhamentos de moradores de rua para a rede de abrigos da prefeitura. A ação é feita por meio de orientadores sociais do projeto Atenção Urbana.
Nenhum morador de rua é obrigado pelos orientadores a ir para os albergues ou a receber atendimento. E, de acordo com a secretaria, a maioria não aceita os serviços oferecidos. Os orientadores vão periodicamente aos locais e tentam, novamente, convencer as pessoas a deixarem as ruas, para que "retornem ao convívio da família e da comunidade".
Os moradores que aceitam a remoção podem ser levados para o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), para o Centro de Referência de Assistência Social (Cras), para o Serviço de Acolhimento Institucional (Abrigo), para Espaços de Convivência e Saúde ou para o Complexo Prates, inaugurado no último mês de março.
O Complexo Prates possui centro de acolhimento com capacidade de 1,2 mil pessoas por dia, no qual usuários podem praticar atividades esportivas, oficinas e contam com psicólogos e assistentes sociais disponíveis. Já cada Abrigo conta com 20 vagas, enquanto o Centro de Acolhida possui 120. São 60 Centros de Acolhida na cidade, além de 132 Abrigos.
Em alguns locais com grandes concentrações de moradores de rua (bairros de Santa Cecília, Bela Vista, Mooca, Jardim da Vida, Prates e Barra Funda) foram instalados Espaços de Convivência, além de dois Centros de Referência Especializados para População de Rua (Creas Pop), que faz encaminhamentos específicos, de retorno à família, por exemplo, até orientação jurídica.
A internauta Luciana Mdo, de São Paulo (SP), participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.