Imagem publicada no Facebook na sexta-feira mostra um encontro entre os feridos que seguem internados no Hospital de Caridade de Santa Maria
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A Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul, com dados da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS), informou nesta sexta-feira que 37 pacientes feridos no incêndio da boate Kiss, em Santa Maria, permanecem internados em Porto Alegre e Santa Maria, sendo que seis deles estão em ventilação mecânica nos hospitais Cristo Redentor, Pronto Socorro, Clínicas, Conceição e Mãe de Deus, todos na capital gaúcha.
O Hospital da Caridade, em Santa Maria, abriga oito pacientes internados, nenhum deles respirando por ventilação mecânica. As cidades de Caxias do Sul e Canoas, que chegaram a receber vítimas do incêndio, já não têm qualquer paciente internado.
Incêndio na Boate Kiss
Um incêndio de grandes proporções deixou mais de 230 mortos na madrugada do dia 27 de janeiro, em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo tenha iniciado com um artefato pirotécnico lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária.
Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. "Na hora que o fogo começou, foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate, e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações.
A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde se reuniu com o governador Tarso Genro e parentes dos mortos. A tragédia gerou uma onda de solidariedade tanto no Brasil quanto no exterior.Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas.
A tragédia que matou mais de 230 pessoas após um incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria (RS), repercutiu nas redes sociais logo após as primeiras informações serem compartilhadas por internautas. Com o avanço das investigações, os envolvidos no caso, seus simpatizantes e amigos de vítimas usam a internet para um embate com ofensas, defesas, acusações e homenagens. No dia seguinte ao incêndio, a banda Gurizada Fandangueira, que teve dois músicos presos, usou o Facebook para acusar as autoridades
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A banda também compartilhou fotos de internautas que denunciavam o uso de artefatos pirotécnicos dentro da boate antes da tragédia. Os músicos defendem que sempre fizeram shows utilizando fogos e que a mesma apresentação já tinha sido feita na Boate Kiss em outras oportunidades. Segundo eles, os proprietários da casa noturna sabiam do uso dos sinalizadores que, segundo as investigações, provocaram o incêndio
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O gaiteiro da banda morreu no incêndio. Na página da Gurizada Fandangueira, vários internautas deixaram mensagens de apoio para os músicos. A maioria exime a banda de culpa e responsabiliza a prefeitura, os bombeiros e os donos da boate pela tragédia. "Vocês foram contratados, nunca poderiam imaginar que uma coisa dessas poderia acontecer", escreveu uma fã dos músicos
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Os amigos de Kiko Spohr, um dos sócios da Boate Kiss, criaram uma página no Facebook reunindo postagens de apoio para o empresário, que está preso. Eles criticam a cobertura da imprensa no caso e reforçam que muitas pessoas estão do lado de Kiko
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A página compartilha mensagens e depoimentos apoiando o empresário. Até a tarde desta quinta-feira, mais de 550 pessoas haviam curtido a iniciativa. Ontem, os administradores postaram mensagem agradecendo o apoio. "449 pessoas conhecem Kiko e sabem que ele jamais pensou que passaria por isso. Conhecemos a pessoa Kiko que batalhou muito e não merece o julgamento da imprensa!!!"
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A página "Força Kiko" também tem sido palco de acusações por parte de pessoas que não acreditam na inocência do empresário. Alguns postaram mensagens ironizando a iniciativa dos amigos do dono da Kiss. "Força Kiko? Piada! Essas lágrimas são falsas", escreveu um usuário. "Força não, forca nele. Tem de apodrecer na cadeia", incitou outro
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Na mesma linha, o advogado de Kiko, Jader Marques, usa seu perfil no Facebook para fazer a defesa de seu cliente. No domingo a noite, após o Fantástico veicular uma entrevista com o empresário, Marques publicou o vídeo da conversa na íntegra em sua página. "A imprensa não pode trabalhar pela condenação de uma pessoa, escondendo o seu lado dos fatos", escreveu. "Kiko Spohr é uma vítima deste Estado ineficiente que só nos enxerga como pagadores de impostos", acusou
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Em outro momento, o advogado destacou o sofrimento de Kiko com o caso, afirmando que ele esá "desamparado", "assustado". Marques também lembrou que o empresário passaria seu aniversário dentro da prisão. "Deixei Elissandro, o Kiko, na cadeia em Santa Maria, onde ficará a espera do inquérito policial. E agora, quando o amanhã tornou-se hoje, Kiko está de aniversário: 29 anos", escreveu. "Não há motivo para festa. Santa Maria está triste. E eu também", completou
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Jader Marques também aproveitou o espaço nas redes sociais para criticar o Corpo de Bombeiros, responsável, segundo ele, "pelas exigências e pelas fiscalizações das casas noturnas". Mais cedo, o advogado havia chamado a ação da corporação de "desastrosa e despreparada". No Facebook, ele minimizou as declarações. "Aos bombeiros, a minha mensagem sempre foi: chega de ficarem calados diante da omissão dos governantes. Chega de trabalharem sem equipamentos, sujeitos à morte. Chega de salários de fome"
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O delegado que investiga o caso, Marcelo Arigony, também utilizou as redes sociais para comentar a tragédia. Ele postou em seu perfil no Facebook uma foto em que uma equipe de uma empresa de entretenimento utiliza fogos dentro da Boate Kiss. Na descrição da postagem, Arigony escreveu: "Recebi pelo msn do face. Tirem suas próprias conclusões!". Após receber centenas de curtidas e compartilhamentos, o delegado apagou a foto de sua página
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Na segunda-feira, quatro pessoas foram presas temporariamente - dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Spohr, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffmann, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. Enquanto a Polícia Civil investigava documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergiam sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.
A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.
Fuligem e forte cheiro de fumaça permanecem na boate mais de 24 horas após o incêndio
Foto: Fernando Borges / Terra
Tragédia que tirou a vida de mais de 230 pessoas deixou rastro de destruição
Foto: Fernando Borges / Terra
Labaredas destruíram revestimento de madeira de bar localizado no interior da boate
Foto: Fernando Borges / Terra
Fachada da boate foi parcialmente demolida para facilitar o acesso às vítimas
Foto: Fernando Borges / Terra
Detalhe mostra decoração do banheiro masculino da boate; mictório trazia "alvos" de personalidades como Bin Laden e Hitler