Script = https://s1.trrsf.com/update-1768488324/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Tragédia em Santa Maria

Pai de morto na Argentina lamenta que Brasil não tenha se prevenido

29 jan 2013 - 06h31
(atualizado às 06h31)
Compartilhar
Exibir comentários

O incêndio que deixou pelo menos 231 mortos na Boate Kiss, em Santa Maria (RS), superou a tragédia da casa de shows argentina República de Cromañón, ocorrida em 2004, até então o incidente com o maior número de vítimas na América Latina na última década. No estabelecimento, 194 pessoas perderam a vida e mais de 700 ficaram feridas. Assim como ocorreu na cidade gaúcha, a causa também foi a utilização de um artefato pirotécnico que incendiou o teto do local.

Empresário Mauro Hoffmann, dono da Boate Kiss, é preso preventivamente após se apresentar à polícia
Empresário Mauro Hoffmann, dono da Boate Kiss, é preso preventivamente após se apresentar à polícia
Foto: Nabor Goulart / Agência Freelancer

O caso gerou uma grande revolta na Argentina, que resultou no fechamento de casas irregulares, mudanças nas leis e penas pesadas aos responsáveis. A mobilização começou com as famílias das vítimas, que iniciaram uma verdadeira batalha por justiça, num processo que se estendeu por cerca de oito anos. "Depois de apenas dois dias da tragédia, nós, os pais, já começamos a nos reunir e buscar os culpados", conta o advogado José Iglesias, pai de uma das vítimas Pedro Iglesias, 19 anos. A reação levou à criação da Associação dos Pais das Vítimas da Tragédia de Cromañon.

O Efeito Cromañón levou ao fechamento massivo das boates e espaços culturais argentinos que não cumpriam as normas básicas de segurança. Uma das principais mudanças apontadas por Iglesias foi a diminuição da validade das inspeções de segurança. "Antes de Cromañón, as inspeções tinham validade de um ano, depois passaram a ter validade de apenas seis meses", conta o pai de Pedro.

Mas o advogado ressalta que o problema com relação ao caso Cromañon não era tocante à inexistência de leis de regulamentação das casas noturnas, senão algo muito parecido ao que ocorre no Brasil, a quase total falta de fiscalização. "Havia normas, o que não havia era fiscalização. O grande problema é que a indústria da noite é um meio onde existe muita corrupção, suborno e ligação com os governos. Ou seja, se você não está em plenas condições de funcionar, basta algum investimento de dinheiro e, por conta da falta de integridade, se coloca em risco a vida de jovens como os que morreram aqui em 2004 e, agora, no Brasil", disse.

Quanto à fiscalização, uma das principais mudanças foi a criação de um registro junto ao site do governo da cidade de Buenos Aires, onde qualquer cidadão pode ter acesso ao estado da documentação das boates que estão em funcionamento. "O registro funciona como uma tentativa de tornar os dados transparentes, mas, ainda assim, não é uma garantia de que não haverá infrações", lamenta Iglesias.

Sobre o caso da Boate Kiss no Brasil, Iglesias disse que sua reação foi "primeiro comoção e, logo em seguida, frustração. Porque vimos que mesmo depois de oito anos de luta, não pudemos ser tomados de exemplo preventivo ao nosso país vizinho", lamentou.

Julgamento e condenação

De todas as pessoas que foram processadas, apenas 14 chegaram a julgamento. O primeiro deles foi realizado em agosto de 2008, cerca de quatro anos depois da tragédia, e o último no dia 17 de outubro de 2012, passados 8 anos.

Neles, foram condenados por delito de incêndio doloso qualificado e corrupção ativa o gerente da boate, Omar Chabán, com uma pena de 10 anos de prisão, e o empresário da banda, Diego Argañaraz, com pena de 5 anos. Além destes, outras 12 pessoas foram condenadas (veja a tabela abaixo) pelo ocorrido na República Cromañon.

Nome Cargo Sentença
Omar Chabán Gerente 10 anos
Diego Argañaraz Empresário da banda 5 anos
Carlos Díaz Subdelegado 8 anos
Raúl Villarreal Gerente-assistente 6 anos
Fabiana Fiszbin Sub-secretária de controle comunal
do governo de Buenos Aires
4 anos
Ana María Fernández Adjunta da Direção
Geral de Fiscalização e Controle
3 anos
Gustavo Torres Funcionário da Boate 3 anos
Patrício Fontanet Vocalista da banda 7 anos
Eduardo Vasquez Baterista da banda 6 anos
Christian Torrejon Baixista da banda 5 anos
Juan Carbone Saxofonista da banda 5 anos
Maximiliano Djerfay Guitarrista da banda 5 anos
Elio Delgado Guitarrista da banda 5 anos
Daniel Cardell Cenógrafo da banda 3 anos

Incêndio na Boate Kiss

Um incêndio de grandes proporções deixou mais de 230 mortos na madrugada deste domingo em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo iniciou com um sinalizador lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária.

Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. "Na hora que o fogo começou foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações.

INCÊNDIO EM SANTA MARIA

Entenda detalhes de como aconteceu a tragédia em Santa Maria, na região central do RS, que chocou o País e o mundo e como era a Boate Kiss por dentro

A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde se reuniu com o governador Tarso Genro e parentes dos mortos.

 

Fonte: Especial para Terra
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade