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Tragédia em Santa Maria

Músico: banda de dono de boate também usou pirotecnia no local

1 fev 2013 - 16h33
(atualizado às 16h56)
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Eduardo Pohl, guitarrista da banda Projeto Pantana, na qual Kiko Spohr, um dos proprietários da Boate Kiss, era vocalista, disse que a espuma do isolamento acústico - apontada como um dos fatores que contribuíram para o incêndio que matou mais de 230 pessoas no último domingo - teria sido instalada há muito tempo. "Que eu me lembre, aquela espuma já tinha sido colocada há bastante tempo, só não sei precisar bem quando foi", afirmou o músico, que confirmou que a própria banda também já havia se apresentado na boate usando equipamentos pirotécnicos.

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O músico afirma que ninguém da banda imaginava que aquela espuma seria tão perigosa, mas também rejeita a possibilidade de que Kiko tivesse consciência desse perigo. "Acho que o Kiko não tinha consciência do perigo. A gente sempre ensaiava lá, gravamos o clipe usando pirotécnica, mas foi com um material diferente", afirma Pohl, dizendo que o clipe seria lançado neste sábado.

Para ele, se a última fiscalização foi feita no final do ano passado, então "muita gente esteve lá, e muita gente teria visto", afirma, sem muita certeza das datas. "O Kiko era leigo, se colocou alguma coisa lá, deve ter sido com a orientação de alguém."

Ele classifica Kiko como um dos seus melhores amigos e diz que todas as modificações eram feitas pelo proprietário com o intuito de melhorar a casa para o público. "Ele jamais colocaria aquilo se soubesse do risco que representava. O Kiko foi a pessoa que mais perdeu amigos ali dentro", argumenta.

O integrante esteve na delegacia hoje para averiguar a situação dos equipamentos que ficaram retidos dentro da boate após o incêndio. "Mas eu trocaria tudo isso que conquistei com muito suor pela vida de uma das pessoas que estavam lá", afirmou.

Incêndio na Boate Kiss

Um incêndio de grandes proporções deixou mais de 230 mortos na madrugada do dia 27 de janeiro, em Santa Maria (RS). O incidente, que começou por volta das 2h30, ocorreu na Boate Kiss, na rua dos Andradas, no centro da cidade. O Corpo de Bombeiros acredita que o fogo tenha iniciado com um artefato pirotécnico lançado por um integrante da banda que fazia show na festa universitária.

Segundo um segurança que trabalhava no local, muitas pessoas foram pisoteadas. "Na hora que o fogo começou, foi um desespero para tentar sair pela única porta de entrada e saída da boate, e muita gente foi pisoteada. Todos quiseram sair ao mesmo tempo e muita gente morreu tentando sair", contou. O local foi interditado e os corpos foram levados ao Centro Desportivo Municipal, onde centenas de pessoas se reuniam em busca de informações.

INCÊNDIO EM SANTA MARIA

Entenda detalhes de como aconteceu a tragédia em Santa Maria, na região central do RS, que chocou o País e o mundo e como era a Boate Kiss por dentro

A prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias e anunciou a contratação imediata de psicólogos e psiquiatras para acompanhar as famílias das vítimas. A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde se reuniu com o governador Tarso Genro e parentes dos mortos. A tragédia gerou uma onda de solidariedade tanto no Brasil quanto no exterior.

Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas.

Na segunda-feira, quatro pessoas foram presas temporariamente - dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Sphor, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffman, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. Enquanto a Polícia Civil investigava documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergiam sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.

A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.

Fonte: Terra
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