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Tragédia em Santa Maria

Após tragédia, capitais fecham pelo menos 250 estabelecimentos

Levantamento em 14 capitais aponta que 250 estabelecimentos foram fechados após o incêndio que matou 239 pessoas em Santa Maria

27 fev 2013 - 13h28
(atualizado às 22h10)
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<b>26 de fevereiro</b> A frente da Boate Kiss, que virou o local das homenagens às vítimas, recebe visitas um mês após a tragédia
26 de fevereiro A frente da Boate Kiss, que virou o local das homenagens às vítimas, recebe visitas um mês após a tragédia
Foto: Fernando Diniz / Terra

Pelo menos 250 estabelecimentos comerciais foram interditados em 14 capitais do País desde a tragédia de Santa Maria, quando 239 pessoas morreram após um incêndio na boate Kiss na madrugada do dia 27 de janeiro. A reação depois do incidente que traumatizou o Brasil levou governos e bombeiros a reforçar a fiscalização, especialmente de casas noturnas. O levantamento do Terra aponta que a falta de saídas de emergência, sinalização irregular e extintores de incêndio fora do prazo de validade estão entre as principais falhas apontadas.

Em Fortaleza (CE), a prefeitura vistoriou 147 estabelecimentos entre os dias 29 de janeiro e 8 de fevereiro e constatou que todos estavam irregulares. Além das casas noturnas, bares cinemas, shoppings, restaurantes apresentavam problemas como extintores vencidos, portas de entrada inadequadas e falta de saídas de emergência. Do total, 14 foram interditados. O restante foi notificado e deverá fazer as adequações.

A situação também é preocupante para os frequentadores de bares e casas noturnas do Rio de Janeiro. Somente em uma operação, no final de janeiro, 42 estabelecimentos foram interditados e outros 36 receberam notificação. O Corpo de Bombeiros não divulgou um balanço de todas as fiscalizados feitas desde o incêndio em Santa Maria, mas confirma que a situação é preocupante, não somente na capital, mas em cidades do interior. A expectativa é que sejam feitas 40 mil fiscalizações em estabelecimentos comerciais e outras edificações ao longo de 2013 no Estado.

Para o capitão Frederico Pascoal, que atua no Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, a preocupação com a segurança não deve ser uma prioridade somente após tragédias como a da boate Kiss. "A segurança é uma responsabilidade de todos. Antes de se culpar uma possível falha na fiscalização por parte dos órgãos competentes, é importante ressaltar que os proprietários dos estabelecimentos têm que se conscientizar da necessidade de se manter a segurança exigida por lei. Não adianta corrigir os erros só depois que acontece uma tragédia", desabafa.

Segundo os Bombeiros de Minas, nos três dias após o incêndio em Santa Maria, o Disque-Denúncia do Estado (181) recebeu 181 ligações para informar sobre boates irregulares. Essa foi a primeira vez que o tráfico de drogas ficou em segundo lugar no ranking de denúncias, dando lugar à ações relativas ao Corpo de Bombeiros. Somente em Belo Horizonte, 21 estabelecimentos irregulares foram interditados no último mês.

Fiscalização não evita novos incêndios

As fiscalizações preventivas não foram insuficientes para impedir que, no dia 21 de fevereiro, um incêndio de grandes proporções destruísse um restaurante e um pub no Recife (PE). Felizmente ninguém ficou ferido. As causas das chamas não foram apontadas, mas os Bombeiros prometem intensificar as operações ao longo deste ano.

Em Brasília (DF), há uma semana o prédio que abriga os ministérios dos Transportes e das Comunicações foi evacuado após a explosão de uma subestação da Companhia Energética de Brasília (CEB) provocar um incêndio no edifício. De acordo com servidores, o alarme de incêndio não disparou. Em novembro do ano passado, outro incêndio, também causado pela explosão de um gerador, atingiu o Ministério do Esporte e provocou a morte de um funcionário. Em comum aos dois episódios está a falta de alvará de funcionamento dos ministérios. Ou seja, os prédios que abrigam estruturas do governo federal funcionam em situação ilegal.

Além da fiscalização de casas noturnas, bares e restaurantes, controlar a segurança de prédios públicos e empresarias é um desafio para os Bombeiros, já que boa parte não possui plano de prevenção de incêndios e não respeita as normas básicas de segurança. Em Campinas (SP), por exemplo, a fiscalização dos Bombeiros após o incêndio na boate Kiss comprovou que até o prédio onde funciona a prefeitura está em situação irregular.

No local onde trabalham 2 mil servidores, o auto de vistoria, que atesta o cumprimento de todas as exigências de segurança, está vencido desde julho do ano passado. A prefeitura prometeu adequar todas as exigências, inclusive com o treinamento de brigadistas contra incêndio.

A expectativa é que, tanto a fiscalização dos órgãos públicos, quanto a preocupação da população com as medidas de segurança impulsionadas a partir da tragédia em Santa Maria não sejam esquecidas com o passar do tempo.

Capitais Situação
Aracaju 21 estabelecimentos inerditados
Belo Horizonte 21 interditados e 27 notificados
Boa Vista 3 interditados e 5 notificados
Brasília* 29 interditados
Curitiba 25 interditados, apenas um permanece fechado
Fortaleza 14 interditados e 147 notificados
Goiânia 33 interditados pelos Bombeiros
Natal 3 interditados e 24 notificados
Porto Alegre 18 interditados
Recife 4 interditados e 8 notificados
Rio Branco 10 interditados
Rio de Janeiro 42 interditados e 36 notificados
Salvador 2 interditados, um foi reaberto
São Paulo 26 interditados

* Os dados correspondem a todo o Distrito Federal, não foi divulgado o balanço apenas da capital federal.

Incêndio na Boate Kiss

Na madrugada do dia 27 de janeiro, um incêndio deixou mais de 230 mortos em Santa Maria (RS). O fogo na Boate Kiss começou por volta das 2h30, quando um integrante da banda que fazia show na festa universitária lançou um artefato pirotécnico, que atingiu a espuma altamente inflamável do teto da boate.

Com apenas uma porta de entrada e saída disponível, os jovens tiveram dificuldade para deixar o local. Muitos foram pisoteados. A maioria dos mortos foi asfixiada pela fumaça tóxica, contendo cianeto, liberada pela queima da espuma.

INCÊNDIO EM SANTA MARIA

ENTENDA DETALHES DE COMO ACONTECEU A TRAGÉDIA EM SANTA MARIA, NA REGIÃO CENTRAL DO RS, QUE CHOCOU O PAÍS E O MUNDO E COMO ERA A BOATE KISS POR DENTRO

 

Os mortos foram velados no Centro Desportivo Municipal, e a prefeitura da cidade decretou luto oficial de 30 dias. A presidente Dilma Rousseff interrompeu uma viagem oficial que fazia ao Chile e foi até a cidade, onde prestou solidariedade aos parentes dos mortos.

Os feridos graves foram divididos em hospitais de Santa Maria e da região metropolitana de Porto Alegre, para onde foram levados com apoio de helicópteros da FAB (Força Aérea Brasileira). O Ministério da Saúde, com apoio dos governos estadual e municipais, criou uma grande operação de atendimento às vítimas.

Quatro pessoas foram presas temporariamente - dois sócios da boate, Elissandro Callegaro Spohr, conhecido como Kiko, e Mauro Hoffmann, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos. Enquanto a Polícia Civil investiga documentos e alvarás, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros divergem sobre a responsabilidade de fiscalização da casa noturna.

A tragédia fez com que várias cidades do País realizassem varreduras em boates contra falhas de segurança, e vários estabelecimentos foram fechados. Mais de 20 municípios do Rio Grande do Sul cancelaram a programação de Carnaval devido ao incêndio.

No dia 25 de fevereiro, foi criada a Associação dos Pais e Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia da Boate Kiss em Santa Maria. A intenção é oferecer amparo psicológico a todas as famílias, lutar por ações de fiscalização e mudança de leis, acompanhar o inquérito policial e não deixar a tragédia cair no esquecimento.

Acompanhe em tempo real as homenagens dos internautas às vítimas de Santa Maria:

Fonte: Terra
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