Termina sequestro de ônibus em SP; motorista foi feito refém
Homem com uma faca manteve vítima por mais de duas horas dentro do coletivo na região de Itaquera, na zona leste
Um motorista de ônibus de 59 anos foi feito refém nesta quarta-feira, 30, na Avenida José Pinheiro Borges, na região de Itaquera, zona leste da capital, por um ex-funcionário da mesma empresa de ônibus, que teria sofrido um surto. A ação acabou por volta das 20h, com o motorista resgatado e o sequestrador preso.
A Polícia Militar foi acionada após um homem, com uma faca, entrar em um ônibus municipal e render o motorista, por volta das 17h40. O ônibus faz a linha 407L-10 (Barro Branco - Guilhermina Esperança) e pertence à empresa Express Transportes Urbanos. Até a publicação desta reportagem, a polícia havia divulgado apenas o primeiro nome do sequestrador: Adriano, de 36 anos.
"O causador do incidente estava dentro do ônibus, como passageiro", contou após a resolução do caso Renato Marques Pavão, comandante interino do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE), responsável pela negociação que terminou com a libertação do refém.
"Em determinado momento da viagem ele (o sequestrador) apresentou a faca, colocou bem próximo do motorista e pediu que ele desviasse o caminho. Os passageiros ficaram bem nervosos, começou um tumulto, ele direcionou o motorista para essa rua, pediu que atravessasse o ônibus, os passageiros desembarcaram e ele manteve (o motorista) como refém lá dentro", narrou o policial.
"Ele é ex-funcionário dessa empresa e a motivação que ele apresentou é justamente o fato de ter saído desse emprego. Saiu do emprego há por volta de um mês, pediu para ser desligado, (mas) teve uma separação e parece estar com problema financeiro. Ele não tinha antecedente criminal. Esses eram os motivos que ele apresentava pra nós", contou o comandante interino do Gate. Segundo o policial, o sequestrador estaria devendo dinheiro para um agiota.
A situação pode ter levado Adriano a um surto, que contribuiu para cometer o sequestro. O comandante interino do Gate, que não descarta que o sequestrador estivesse sob efeito de medicamentos ou drogas, conta que a linha de raciocínio dele sequestrador era confusa, daí a dificuldade da polícia para atender eventuais pedidos.
"Era um pouco desconexo o que ele falava, mas ele pedia que aquilo que ele estava buscando tivesse publicidade. Durante a negociação ele pediu a presença do advogado e nós trouxemos também uma pessoa que trabalhou com ele, um fiscal, para que ele ficasse um pouco mais calmo", afirmou.
Segundo o policial, o sequestrador não conhecia o refém, embora tivessem trabalhado na mesma empresa. "Ele não conhecia a vítima, foi aleatório. Ele sabia pela cor do ônibus que se tratava da linha em que ele trabalhava, por isso embarcou nesse ônibus", disse. "A vítima estava bem nervosa, é um senhor, estava com a faca bem próxima dele. Era uma faca de aproximadamente 40 centímetros".
A via foi totalmente bloqueada no sentido centro e agentes do GATE especializados em negociação convenceram o homem a se entregar, após praticamente duas horas e meia. Atiradores chegaram a ser posicionados para disparar contra o homem, caso fosse necessário, o que não ocorreu. Durante a negociação, Adriano pediu e recebeu água mineral. Por volta das 20h, aceitou se render e foi conduzido para a delegacia, onde seria lavrada a ocorrência.