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SP: protesto reúne médicos, sem-teto, partidos e surdos

4 jul 2013 - 21h47
(atualizado em 4/7/2013 às 10h58)
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A avenida Paulista, em São Paulo, foi palco de pelo menos três protestos na tarde desta quarta-feira. Eles reuniram cerca de 5 mil médicos, 1 mil representantes de movimentos de sem-teto, partidos políticos e sindicatos, além de um grupo de cerca de 200 surdos
A avenida Paulista, em São Paulo, foi palco de pelo menos três protestos na tarde desta quarta-feira. Eles reuniram cerca de 5 mil médicos, 1 mil representantes de movimentos de sem-teto, partidos políticos e sindicatos, além de um grupo de cerca de 200 surdos
Foto: Vagner Magalhães / Terra

A avenida Paulista, em São Paulo, foi palco de pelo menos três protestos na tarde desta quarta-feira. Eles reuniram cerca de 5 mil médicos, 1 mil representantes de movimentos de sem-teto, partidos políticos e sindicatos, além de um grupo de cerca de 200 surdos, que pleiteava educação e legendas em libras, como fator de inclusão social. Na pauta, também pediam que se respeite a lei de cotas para a contratação de deficientes físicos.

Em um dos cartazes trazidos pelo grupo, a presidente Dilma Rousseff foi cobrada. No discurso que fez à Nação, na semana retrasada, houve a ausência da tradução em libras. "Dilma, você é a presidenta, me respeita. Pois somos surdos. Cadê a legenda com intérprete na TV?". Em outro, a constatação. "Não entendi nada o que você falou".

O primeiro grupo a chegar à Paulista foi o dos médicos, que saiu da Associação Médica Brasileira em direção ao escritório da Presidência da República, em um percurso de pouco mais de 700 metros. Os cerca de 5 mil manifestantes cobraram investimentos no Sistema Único de Saúde (SUS) e regras rígidas para a contratação de médicos estrangeiros.

Também foi cobrado o investimento de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do País na saúde, além da melhoria da gestão do SUS.

Manifestantes tinham como mote abrir mão da Copa do Mundo por melhor transporte, saúde e educação
Manifestantes tinham como mote abrir mão da Copa do Mundo por melhor transporte, saúde e educação
Foto: Fernando Souza / vc repórter

Após uma parada de cerca de uma hora em frente ao prédio, o grupo retornou pela avenida Paulista até a sede da entidade. Na altura do número 1.300, encontrou o movimento encabeçado pelo grupo de sem-teto, sindicalistas e membros de partidos políticos de esquerda, que tinham como mote abrir mão da Copa do Mundo por melhor transporte, saúde e educação.

Enquanto os membros dos movimentos sociais seguia nos sentido da avenida da Consolação, os médicos iam no sentido contrário, do Paraíso. Por conta da questão dos médicos estrangeiros, houve vaias mútuas. Enquanto os movimentos sociais defendiam as contratações, os médicos rechaçavam a intenção do Ministério da Saúde. Não houve confronto.

Cenas de guerra nos protestos em SP
A cidade de São Paulo enfrenta protestos contra o aumento na tarifa do transporte público desde o dia 6 de junho. Manifestantes e policiais entraram em confronto em diferentes ocasiões e ruas do centro se transformaram em cenários de guerra.

Durante os atos, portas de agências bancárias e estabelecimentos comerciais foram quebrados, ônibus, prédios, muros e monumentos pichados e lixeiras incendiadas. Os manifestantes alegam que reagem à repressão da polícia, que age de maneira truculenta para tentar conter ou dispersar os protestos.

Veja a cronologia e mais detalhes sobre os protestos em SP

Mais de 250 pessoas foram presas durante as manifestações, muitas sob acusação de depredação de patrimônio público e formação de quadrilha. A mobilização ganhou força a partir do dia 13 de junho, quando o protesto foi marcado pela repressão opressiva. Bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela Polícia Militar na rua da Consolação deram início a uma sequência de atos violentos por parte das forças de segurança, que se espalharam pelo centro.

O cenário foi de caos: manifestantes e pessoas pegas de surpresa pelo protesto correndo para todos os lados tentando se proteger; motoristas e passageiros de ônibus inalando gás de pimenta sem ter como fugir em meio ao trânsito; e vários jornalistas, que cobriam o protesto, detidos, ameaçados ou agredidos.

As agressões da polícia repercutiram negativamente na imprensa e também nas redes sociais. Vítimas e testemunhas da ação violenta divulgaram relatos, fotografias e vídeos na internet. A mobilização ultrapassou as fronteiras do País e ganhou as ruas de várias cidades do mundo. Dezenas de manifestações foram organizadas em outros países em apoio aos protestos em São Paulo e repúdio à ação violenta da Polícia Militar. Eventos foram marcados pelas redes sociais em quase 30 cidades da Europa, Estados Unidos e América Latina.

As passagens de ônibus, metrô e trem da cidade de São Paulo passaram a custar R$ 3,20 no dia 2 de junho. A tarifa anterior, de R$ 3, vigorava desde janeiro de 2011. Segundo a administração paulista, caso fosse feito o reajuste com base na inflação acumulada no período, aferido pelo IPC/Fipe, o valor chegaria a R$ 3,40. No dia 19 de junho, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito Fernando Haddad (PT) anunciaram a redução dos preços das passagens de ônibus, metrô e trens metropolitanos para R$ 3. O preço da integração também retornou para o valor de R$ 4,65 depois de ter sido reajustado para R$ 5.

Na terça-feira (25), em sessão ordinária na Câmara, a base governista conseguiu adiar a votação para a criação da CPI. Já na manhã desta quarta-feira, Haddad anunciou o cancelamento da licitação com as empresas de ônibus. Segundo ele, a ideia é criar um conselho de transporte para abrir as planilhas com os gastos do transporte antes de assinar o contrato com as viações.

Ele informou que o tempo de viagem pode reduzir de 30 a 50 minutos com a implantação das faixas exclusivas. O prefeito acrescentou que todas as grandes avenidas de São Paulo terão esse tipo de serviço.

Segundo Haddad, trens, Metrô e ônibus transportam dois terços dos trabalhadores paulistanos. O prefeito declarou que espera conseguir financiamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, para implantar os corredores exclusivos de ônibus no valor de R$ 1,7 bilhão.

Colaborou com esta notícia o internauta Fernando Souza, de São Paulo (SP), que participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.

Fonte: Terra
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