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SC: sob chuva, manifestantes voltam a fechar pontes de acesso a Florianópolis

20 jun 2013
20h34
atualizado às 20h37
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Mesmo debaixo de uma chuva insistente, pelo menos 50 mil pessoas - de acordo com os números inicias da Polícia Militar - fecharam as duas pontes de acesso a Florianópolis na noite desta quinta-feira. Com faixas e cartazes, o grupo mais uma vez gritou palavras de ordem contra a corrupção, gastos com a Copa do Mundo e a melhoria de transporte público.

20 de junho - Multidão lota ponte de acesso de Florianópolis em mais uma noite de protestos na capital catarinense
20 de junho - Multidão lota ponte de acesso de Florianópolis em mais uma noite de protestos na capital catarinense
Foto: Fabricio Escandiuzzi / Especial para Terra

A exemplo do ocorrido na última terça, os manifestantes se concentraram diante dio Terminal Integrado do Centro (Ticen) e em seguida caminharam até a Assembléia Legislativa. Dois grupos de manifestantes se formaram e se uniram para seguir pela avenida Beira Mar Norte, a principal da cidade e seguida fechar as pontes Colombo Salles e Pedro Ivo, únicas ligações entre a Ilha de Santa Catarina e os bairros continentais.

Houve momentos de muita tensão no início da noite. Dois ônibus com militantes do PT, PSTU e MST chegaram até o protesto. Alguns manifestantes exigiram que as bandeiras fossem retiradas do local. Os integrantes de partido político resistiram e algumas pessoas chegaram a trocar socos. Ao final, petistas e integrantes do PSTU permaneceram diante do TICEN e não seguiram a passeata.

"Acho um absurdo. A gente vem lutar por um país melhor, protestar contra a politicagem e os partidos despejam ônibus com manifestantes aqui”, afirmou a professora Camila Pavanelli Sanches, 31 anos. “Viemos para um ato pacífico contra eles. Não tinham que estar aqui”.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

O grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador, Fortaleza, Porto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

Fonte: Terra
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