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Polícia Militar e manifestantes se enfrentam em Salvador

20 jun 2013
20h15
atualizado às 20h32
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O centro onde ocorre o carnaval de Salvador, a Praça do Campo Grande, é palco de atos de vandalismo e depredação por parte de um grupo que continuou na região após o fim do protesto do Movimento Passe Livre. O grupo usa blusas sobre a cabeça para esconder o rosto e carrega paus, barras de ferro e pedras. A Tropa de Choque da Polícia Militar fez uma barreira para tentar reprimir a ação, jogando balas de borracha e bombas de gás, mas tem como resposta ataques com armas improvisadas e gritos em coro de “polícia, filha da puta”.

Confronto nas ruas de Salvador durante protesto nesta quinta-feira
Confronto nas ruas de Salvador durante protesto nesta quinta-feira
Foto: AP

Indivíduos já tinham depredado 15 veículos de transporte público no entorno do Estádio Arena Fonte Nova. 

A produtora cultural Carol Morena Vilar diz que a agressão partiu da polícia. “Ao contrário do que muita gente diz, eu não acho que esta confusão se justifique pela diversidade de reivindicações. Na verdade, a violência começou por parte da polícia, que avançou sobre nós quando não havia qualquer tipo de agressão da parte dos manifestantes. Eu não sou a favor da violência, mas acho que foi um caminho buscado pelo tipo de postura que a Polícia Militar resolveu adotar.”

A ação de violência, tanto da PM quanto de integrantes do protesto, foi lamentada por manifestantes. “Eu tenho participado de movimentos sociais há muito tempo e acredito que eles são válidos e importantes, porém, numa situação como esta, onde a manifestação inicial pela questão do transporte público se juntou a muitas insatisfações é comum que surjam atos de violência”, lamentou o arquiteto Marcos Ribeiro. 

Na avaliação de Ribeiro, o conjunto de tantas razões de protestos somado ao ataque da PM aos manifestantes no entorno Estádio Arena Fonte Nova foi o estopim da reação violenta. “A polícia avançou sobre pessoas que dependem do SUS, do nosso péssimo transporte público e tantas outras coisas que funcionam muito mal no Brasil”, acrescentou.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

O grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

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Fonte: Especial para Terra
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