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Romarias da penitência levam 100 mil fiéis e mil cruzes a Pirapora do Bom Jesus

A cidade de 16 mil habitantes se prepara para receber fiéis durante a Semana Santa. Tradição de romarias para o local pode ter mais de 250 anos

18 abr 2019
00h45
atualizado às 00h59
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SOROCABA - Milhares de romeiros estavam na estrada, na manhã desta quarta-feira, 17, em direção ao santuário de Pirapora do Bom Jesus, na região metropolitana de São Paulo. A cidade de 16 mil habitantes deve receber mais de 100 mil fiéis durante esta Semana Santa, segundo a prefeitura. Os romeiros vão depositar no santuário do Bom Jesus cerca de mil cruzes de todos os tamanhos. A tradição das romarias começou no século 18 e pode ter mais de 250 anos.

O grupo do autônomo Reinaldo do Amaral está na estrada desde as 12 horas de segunda-feira, 15, quando saiu de Tatuí, região de Sorocaba. Nesta quarta, os 60 caminhantes percorriam a Estrada dos Romeiros, entre Itu e Cabreúva. "Esperamos chegar ao santuário às 8 da manhã de sexta, para assistir a missa, após andar 105 quilômetros", disse Amaral. O grupo se revezava para carregar uma cruz de madeira de 7 metros, pesando cerca de 80 quilos. Essa é a nona romaria do grupo, mas Amaral faz o percurso há 41 anos. "É agradecimento, penitência e para pedir saúde", disse.

Outro grupo de Tatuí, com seis romeiros do bairro Boqueirão, levava uma cruz imensa, com 21 metros. Maior que a deles, só a cruz de 33 m e 200 quilos levada pelo pessoal de Porangaba, liderado pelo caminhoneiro Rafael Leonardo Pereira Silveira, de 28 anos. O grupo saiu na madrugada de sábado, 13, e esperava chegar na manhã de quinta, após 130 km de jornada.

No caminho, eles encontraram o marceneiro Denilson Giacomazi, arrastando um cruzeiro de 18 metros com seis amigos de Tietê. O aposentado João Correia, de 65 anos, que acompanhava o grupo, disse que o tamanho da cruz não era o mais importante. "Não é uma competição, o que importa é a fé." Outros romeiros preferiram se deslocar de bicicleta ou a cavalo.

A nona romaria 'Os Inovadores' saiu à meia noite de segunda-feira de Piracicaba com 17 cavaleiros. De acordo com o organizador Dirceu Alves da Silva, que vai a Pirapora há 58 anos consecutivos, a chegada do grupo estava prevista para a manhã desta quinta, após um pouso em Cabreuva. "Também levamos a nossa cruz", disse. Após a entrega no santuário, as cruzes são doadas a famílias de baixa renda que aproveitam a madeira. As mais expressivas são colocadas no Morro da Cruz do Século e permanecem em exposição.

A cidade se preparou para receber as romarias. De quinta para sexta-feira, o santuário permanece aberto 24 horas. Na Sexta-Feira Santa, serão celebradas missas de hora em hora, a partir das 5 horas. Na Casa da Cultura, uma exposição fotográfica aberta até o dia 21 mostra as manifestações de fé dos romeiros.

História

A tradição teve início em 1725, quando o morador José de Almeida Naves encontrou uma imagem do Bom Jesus numa corredeira e pediu licença à Igreja para construir uma capela. A primeira festa em louvor ao padroeiro foi realizada em 1730, dando origem às primeiras romarias. A igreja atual foi concluída em 1887 e abriga no altar principal a imagem original de Cristo, com cabelos naturais.

Estadão

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