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RJ: advogado defende expulsão da TV Globo de protesto e constrange OAB

Entidade ainda não definiu se o representante da Comissão de Direitos Humanos sofrerá algum tipo de punição pela declaração contra a liberdade de imprensa

3 jul 2013
16h41
atualizado às 16h48
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A declaração do representante da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ) André Barros, de que os manifestantes tinham direito de expulsar a equipe da TV Globo de local de protestos, no último domingo, na Tijuca, na capital fluminense, antes da final da Copa das Confederações, causou mal-estar na instituição. O presidente da entidade, Felipe Santa Cruz, emitiu nota oficial na tarde desta quarta-feira, em que diz que a opinião de Borges é particular e não reflete o pensamento da entidade.

No texto, Santa Cruz ressalta que a OAB "respeita - e, sobretudo, defende - a liberdade plena e irrestrita de imprensa" e que as opiniões do advogado "não refletem, em hipótese nenhuma, a posição institucional da Ordem".

Na ocasião, Barros acompanhava os protestos a convite da Polícia Militar e disse que os manifestantes tinham todo o direito de exigir a saída da equipe da emissora. "Eles têm o direito a se manifestar contra a mídia. A mídia mente sobre as manifestações. Ela também precisa fazer uma autocrítica, a revolta é contra o sistema", afirmou durante a passeata. "Eles não podem agredir, mas podem expulsar, sim", acrescentou.

Os jornalistas da TV Globo tiveram que deixar a cobertura, e um carro da emissora, mesmo descaracterizado, foi chutado por algumas pessoas. Outros jornalistas que trabalhavam no ato foram ameaçados por parte de manifestantes. A OAB-RJ ainda não decidiu se André Barros vai ser afastado da Comissão ou receber algum tipo de punição por parte da entidade. Ele deve ser ouvido pelo presidente Felipe Santa Cruz.

Leia a íntegra da nota da OAB-RJ:

Sobre as opiniões em relação ao trabalho da mídia feitas por um advogado da Comissão de Direitos Humanos durante as manifestações ocorridas no último domingo, dia 30, no entorno do Maracanã, a Ordem dos Advogados do Brasil / Seção do Rio de Janeiro (OAB/RJ) esclarece que respeita – e, sobretudo, defende – a liberdade plena e irrestrita de imprensa. Portanto, tais opiniões não refletem, em hipótese nenhuma, a posição institucional da Ordem. Desde sua criação, a OAB tem longo histórico de luta contra a censura e contra o silêncio imposto pela repressão que teve sua mais repugnante representação na famigerada ditadura. Foi graças à liberdade de expressão que o país obteve conquistas significadas para o florescimento, a manutenção e a constante evolução da democracia. A OAB/RJ reitera este compromisso junto à sociedade: de resguardar, a todo custo, a livre expressão e da imprensa. 

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas. 

Fonte: Terra
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