Rabino promove diálogo inter-religioso em ações sociais
Ele tem 40 anos e dedicou a metade da vida à contar histórias. Mas Gilberto Ventura, professor e rabino com formação em Israel, queria mais do que falar. E tomou uma decisão corajosa: resolveu viver as histórias.
“Toda minha vida gostei de ler. Um dia, há uns dez anos, parei em uma biblioteca e não tive vontade de pegar livro algum. Fiquei assustado, mas daí veio o insight: tinha chegado a hora de agir, de fazer parte dessas narrativas”, relata.
Dali em diante, “Moré (professor, em hebraico) Ventura”, como é conhecido, agregou novas facetas a sua vida: ativista social e membro do diálogo inter-religioso. “Não se trata de ir até os lugares para ajudar alguém. Trata-se de conhecer outra realidade, de aprender com ela e de interagir com seus participantes, muitos dos quais verdadeiros heróis, em prol de uma sociedade mais humana. Em primeiro lugar, vou lá para me ajudar.”
O que ele faz
Sua atuação, focada na capital paulista, tem quatro vertentes: dá palestras em escolas e instituições que o convidam; solicitado por líderes comunitários, participa de projetos sociais na periferia paulistana; integra a Comissão Inter-religiosa da Cidade de São Paulo; e, ainda, atua no que chama de “emergências”.
“Emergências são tragédias em que as pessoas perdem tudo e precisam de tudo. Quando isso acontece, além de ir ao local, peço ajuda na internet, aos amigos e conhecidos”, diz o rabino, cujos posts nas redes sociais alcançam até 200 mil murais em uma só semana.
Moré Ventura ainda toca na banda inter-religiosa Sementes da Paz e é figura conhecida em atos pela paz. Meses atrás, foi visto na Avenida Paulista, sentado na calçada, batendo papo e pedindo esmola junto com Dona Maria, moradora de rua que havia acabado de conhecer.
Mesmo apoio institucional, ele já conseguiu toneladas de comida para desabrigados, ovos de Páscoa, aparelhos de ar-condicionado, colchões, roupas e galões de água para quem solicitou sua ajuda.
O trabalho de envolvimento social de Moré Ventura despertou o interesse de uma das mais renomadas agências fotográficas do mundo, a Magnum, que fez um ensaio da sua atuação na periferia paulistana. “A maior riqueza que temos é o ser humano. É viver mais o ‘ser’ do que o ‘ter’. Se fizermos isso, teremos muito a ganhar.”