Quem é o padre faixa preta em jiu-jitsu, que se diz exorcista e agrediu fiel em missa
João José Bezerra deu tapas e puxões de cabelo em idosa de 62 anos durante suposta sessão de exorcismo. Polícia investiga o caso. Defesa dele não foi localizada
Ordenado há 17 anos, o padre católico João José Bezerra foi afastado das funções clericais após ser denunciado por agredir uma religiosa de 62 anos. Segundo a polícia, a idosa foi assistir a uma missa da novena de São Miguel Arcanjo, em São Manuel, no interior de São Paulo. Na ocasião, o padre se apresentou como "concelebrante convidado na condição de exorcista".
A vítima relatou à polícia ter recebido tapas e puxões de cabelo durante uma suposta sessão de exorcismo pelo padre. O religioso foi contido por outros fiéis e continuou a missa. A mulher foi levada para a Santa Casa e passou por atendimento. O exame apontou hematomas no rosto, na cabeça e no ombro. Ela e a irmã foram ouvidas pela polícia e confirmaram as agressões.
Bezerra era vigário paroquial do Santuário de Santa Terezinha, em Cerqueira César, cidade que faz parte da arquidiocese de Botucatu. Em 2023, o religioso foi vice-campeão no mundial de jiu-jitsu na faixa marrom master 4 (até 88 kg) da Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu Esportivo disputado no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. Devido ao vice-campeonato, ele foi graduado como faixa preta na modalidade.
Investigações
A Arquidiocese de Botucatu disse que afastou o padre das funções clericais e abriu um procedimento interno para apuração dos fatos. Diz ainda que presta solidariedade e apoio à vítima e sua família.
"Situações de violência de qualquer natureza são absolutamente incompatíveis com a missão da Igreja e com o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo", diz. Informa ainda que colabora integralmente com as autoridades policiais e judiciais para "a efetiva apuração da verdade real".
A Arquidiocese diz que não possui sacerdote designado como exorcista e que, pela norma da Igreja, o exercício deste ofício só acontece quando expressamente autorizado pelo bispo.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) diz que a apuração já foi concluída pela Delegacia Seccional de Botucatu, que colheu o depoimento do suspeito, de testemunhas e analisou imagens. A ocorrência foi encaminhada para o Juizado Especial Criminal. O Judiciário ainda não se pronunciou.