Protesto de sem-teto da Nova Palestina bloqueia vias em São Paulo
Cerca de 6 mil pessoas participam da passeata por moradia na região do Jardim Ângela
Moradores do acampamento batizado de Nova Palestina, na região do Jardim Ângela, bloquearam várias avenidas da zona sul desde a madrugada desta sexta-feira. Segundo informações da Polícia Militar, pelo menos 6 mil pessoas participavam do ato, que foi pacífico.
Os integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) bloquearam a estrada do M'Boi Mirim e avenida Guarapiranga no sentido centro. Por volta das 8h, os manifestantes interditaram um trecho da marginal Pinheiros, na altura da ponte do Socorro. A interdição no local durou poucos minutos, e, por volta das 8h30, a manifestação terminou. A dispersão ocorreu na ponte do Socorro, que foi completamente liberada às 9h.
Reivindicações
O grupo protesta contra a declaração do prefeito Fernando Haddad, que expressou a vontade de criar um parque na região ocupada pelos sem-teto. Em nota divulgada nesta semana, o MTST propôs que o terreno seja transformado em Zona Especial de Interesse Social 4 (Zeis 4), o que permitiria a construção de casas em 30% da área.
"Convidamos o prefeito Fernando Haddad a visitar a ocupação e negociar sobre fatos concretos, não de informações equivocadas e sem fundamentação. O MTST manterá a ocupação até a solução do problema de moradia das mais de 8 mil famílias sem-teto", disse a nota.
Durante a manifestação desta sexta-feira, o líder do MTST, Guilherme Boulos, reclamou também da decisão da prefeitura em paralisar a polícia de desapropriações. "Essa manifestação ocorreu porque o prefeito Haddad tomou algumas definições nesta semana, que, em nossa avaliação, são profundamente equivocadas. Ele suspendeu a política de desapropriações, alegando falta de recursos. Isso vai comprometer toda a meta de construção de moradia, dentre outras áreas em São Paulo”, disse.
“Em relação à ocupação da Vila Nova Palestina, ele (Haddad) deu uma declaração infeliz e mal informada, dizendo que ali deveria ser um parque e de que a zona sul precisava respirar. Enquanto que, a 50 metros da ocupação, nós temos o Earque Ecológico Guarapiranga”, completou Boulos.
Atualmente, segundo o MTST, o terreno se enquadra como Zona de Proteção e Desenvolvimento Sustentável (ZPDS), podendo haver edificação em 10% do total.