PUBLICIDADE

Professor é condenado a 31 anos de prisão pela morte de Tatiane Spitzner no Paraná

Advogada foi assassinada em 2018; Luis Felipe Manvailer não poderá recorrer da decisão em liberdade

10 mai 2021 21h05
| atualizado em 11/5/2021 às 13h39
ver comentários
Publicidade

CURITIBA - O professor de Biologia Luis Felipe Manvailer foi condenado pela morte da mulher, a advogada Tatiane Spitzner, em julho de 2018, em Guarapuava, Paraná. Ele vai cumprir pena por fraude processual, feminicídio e ainda terá de pagar multa de R$ 100 mil por danos morais para a família da vítima. Ele, que não poderá recorrer da pena em liberdade, foi acusado de asfixiar a mulher e jogá-la do 4º andar do prédio onde moravam.

Câmera flagrou momento em que professor limpa o elevador após levar o corpo para apartamento
Câmera flagrou momento em que professor limpa o elevador após levar o corpo para apartamento
Foto: Divulgação/Ministério Público-PR / Estadão

A pena é de 31 anos, 9 meses e 18 dias. O julgamento, conduzido pelo magistrado Adriano Scussiato, durou sete dias. Manvailer continuará detido no Presídio Industrial de Guarapuava, onde já está preso há dois anos e nove meses.

Durante seu depoimento no domingo, 9, Manvailer chegou a pedir desculpas à família de Tatiane pelas agressões, comprovadas por meio de câmeras de segurança, mas negou assassinato.

Antes da decisão, o júri chegou a ser adiado por duas vezes, mas nessa terceira tentativa - que definiu a condenação - foram ouvidas 14 testemunhas e dois assistentes técnicos.

Durante a manifestação da defesa de Manvailer, uma cena chamou atenção quando o advogado Cláudio Dalledone Júnior, na tentativa de mostrar a inocência de seu cliente, contracenou com a advogada Maria Eduarda Lacerda e simulou uma cena em que julgaria ter sido a ação de Manvailer contra a mulher Tatiane Spitzner. Na sequência, cujas imagens viralizaram nas redes sociais, Dalledone a segura pelo pescoço, e a advogada cai. "Veja o pescoço dela como ficou", disse o advogado, após protagonizar a dinâmica. Em vídeo, ambos explicaram o ocorrido. "Nós treinamos essa dinâmica, combinamos essa dinâmica, ela não teve nenhuma lesão, ela não foi subjugada, é uma excepcional mulher da advocacia que muito nos orgulha em fazer parte da equipe", disse.

A advogada Maria Eduarda explicou sua participação. "Para mim foi uma honra poder ajudar, auxiliá-lo; nessa dinâmica, nessa simulação em frente aos jurados, acredito que na advocacia do Tribunal do Júri essa simulação é fundamental em grandes casos e realmente não me senti subjugada em momento algum, foi tudo treinado, nós já tínhamos combinado, não fui pega de surpresa, e não acredito que isso esteja denegrindo (sic) a minha imagem como mulher, ao contrário, está realçando minha imagem como advogada e tenho a convicção de que todas demais advogadas também concordam que para defender causas e convicções estamos dispostas a tudo em plenário", concluiu.

O crime

O crime aconteceu na noite de 22 de julho de 2018. Manvailer é acusado de ter jogado a esposa da sacada do prédio onde moravam, em Guarapuava (258 quilômetros de Curitiba). Após isso, ele teria resgatado o corpo na calçada, levado para o apartamento e em seguida tentou fugir para o Paraguai, segundo a Polícia, mas sofreu um acidente e foi detido.

A discussão entre os dois teria ocorrido na noite de sábado, na comemoração do aniversário de Manvailer, quando a vítima teria pedido para olhar o telefone do namorado. Na época, ele tinha 32 anos e Tatiane, 29.

Estadão
Publicidade
Publicidade