PUBLICIDADE

PM que se recusou a ajudar jovem negro é alvo de ataques e ‘memes’ em grupos de policiais, diz Ouvidoria

Ouvidoria da Polícia de São Paulo pediu providências à Polícia Militar em preocupação com a saúde mental da soldado Tamires Borges

19 nov 2023 - 13h26
(atualizado às 13h26)
Compartilhar
Exibir comentários
PM que se recusou a ajudar jovem negro ameaçado por homem armado responderá por omissão
PM que se recusou a ajudar jovem negro ameaçado por homem armado responderá por omissão
Foto: Reprodução/Ponte Jornalismo

A Ouvidoria da Polícia de São Paulo afirma que Tamires Borges Coutinho Siqueira, policial flagrada se recusando a ajudar um jovem negro que estava sendo ameaçado por um homem armado, está sendo alvo de ataques de grupos policiais em aplicativos de mensagem, com memes sobre o ocorrido. As informações foram obtidas pelo jornal Folha de S. Paulo.

O órgão demonstrou preocupação com a saúde mental da policial e afirmou ter enviado um ofício à Polícia Militar sugerindo a produção de uma normativa, no âmbito do comando-geral, que proíba a disseminação de conteúdos depreciativos, jocosos ou que firam a moral de indivíduos - sejam eles policiais ou civis - em grupos dos quais os soldados façam parte.

O Terra pediu mais detalhes sobre a questão com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) mas não obteve retorno até a publicação da matéria. O espaço segue aberto.

Conduta sendo investigada

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) apura a conduta da agente da Polícia Militar na capital paulista. Segundo o órgão, a PM identificada e responderá criminal e disciplinarmente por omissão. O homem, identificado como investigador da Polícia Civil, também é investigado pela Corregedoria da corporação. 

O ouvidor das polícias de São Paulo, Claudio Silva, afirma que pedirá o afastamento e desarmamento do investigador, que possui histórico de episódios violentos, inclusive que levaram uma irmã a solicitar medida protetiva contra ele. Quanto à atitude da PM, Silva se diz 'chocado' e aponta prevaricação na conduta da agente, que viu uma cena de crime e se recusou a agir. 

Para Silva, a agente falhou em verificar se o homem armado possuia documentação para utilizar a arma de fogo. Ela ainda deveria ter protegido o jovem e identificado o investigador, além de levar o caso à delegacia de policia. 

"Fiquei muito chocado. Vou questionar a Corregedoria para saber se isso é comum para a corporação, se podemos naturalizar o fato de uma policial militar ver uma pessoa correndo risco de vida e não fazer nada", afirmou o ouvidor à GloboNews. 

Ainda que estivesse de folga, a PM poderia ter solicitado o apoio de outras equipes no local e transferido a ocorrência. Ela afirma, nas imagens, que estava sem celular. Para o ouvidor, ela deveria ter solicitado o aparelho de algum pedestre para pedir ajuda.

Entenda o caso

O caso aconteceu no último dia  12 no bairro do Carandiru, na Zona Norte da Capital paulista. Um repórter fotográfico do Ponte Jornalismo registrou a cena. Nas imagens, é possível ver o homem, chamado de Paulo por uma mulher que protegia o adolescente, apontando uma arma para o rapaz. Ele acusa o jovem de estar roubando no local. 

O jornalista, então, filma uma policial e pede que ela intervenha. A mulher, no entanto, se recusa e afirma que 'está de folga' e que era preciso acionar o 190. O jovem ameaçado chega a se aproximar da agente, mas ela o afasta com um chute. Com a ajuda de outras pessoas, ele consegue fugir do local. 

O homem que estava gravando se dirige à policial e a questiona: "Pra quê vocês servem?". A PM se ofende e passa a discutir com o repórter, ameaçando prendê-lo e justificando não ter feito nada por 'estar de folga'. "O procedimento é ligar 190 e pedir viatura", afirma. 

“Se o senhor falar comigo desse jeito, eu vou te prender. Tá ouvindo? Você não me desrespeita não. Tá gravado que você me desrespeitou. Se você é da imprensa, eu sou da polícia. Você me respeita”, disse a agente.

Fonte: Redação Terra
Compartilhar
Publicidade
Seu Terra












Publicidade