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Pai e madrasta são investigados por ameaçar adolescentes a produzirem conteúdos sexuais para prejudicar mãe

Investigação aponta que homem, que está foragido, chegava a cobrar 20 vídeos por dia

26 ago 2025 - 19h36
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Resumo
Pai e ex-madrasta são investigados no Paraná por coagir adolescentes, incluindo a filha dele, a produzir vídeos de conteúdo sexual para retaliar a mãe; homem está foragido e mulher foi presa.
Polícia Civil do PR investiga caso de idosa que foi internada após passar por peeling de fenol em Curitiba
Polícia Civil do PR investiga caso de idosa que foi internada após passar por peeling de fenol em Curitiba
Foto: Fábio Dias / EPR

Conversas reveladas pela Polícia Civil do Paraná (PC-PR) mostram a rotina de terror imposta por um homem de 63 anos e sua companheira, de 33, contra duas adolescentes -- uma delas, a própria filha do homem. As mensagens enviadas às vítimas traziam ordens e ameaças em tom de "seita", exigindo que produzissem diariamente até dez vídeos de conteúdo pedófilo.

Segundo o delegado Gabriel Fontana, responsável pelo caso, as vítimas, de 14 e 16 anos, eram coagidas a cumprir um "acordo diário", com contagem regressiva do prazo. Em uma das mensagens, o suspeito escreveu:

"Por favor, não hesite em errar de novo, ou novamente para que se apaguem todas as suas oportunidades, ok? Seja esperta e não faça por errar para que tenhas que ser punida sem chance de volta [...] Você tem apenas uma hora a partir de agora para concluir seu acordo diário, ok? Não perca tempo e mais esta oportunidade de redenção."

Vítimas foram forçadas a gravarem vídeos sob ameaças
Vítimas foram forçadas a gravarem vídeos sob ameaças
Foto: Divulgação/Polícia Civil do Paraná

A ex-madrasta foi presa na última quinta-feira, 21, em Curitiba. No mesmo dia, outra mulher foi presa por ser titular de números de telefone usados para solicitar os vídeos. Interrogada nesta terça-feira, 26, ela alega que havia perdido os documentos e negou qualquer envolvimento com as linhas telefônicas cadastradas no nome dela. O delegado apontou que a mulher não possui vínculo com os investigados e nem com as vítimas. O homem segue foragido.

Conversas eram enviadas por uma suposta "seita"
Conversas eram enviadas por uma suposta "seita"
Foto: Divulgação/Polícia Civil do Paraná

Como começou

De acordo com Fontana, o esquema teve início em outubro de 2024, quando o homem combinou um encontro com as adolescentes em um parque de Curitiba. No entanto, ele as levou vendadas para sua casa, onde as forçou a gravar os primeiros vídeos juntas, com ajuda da ex-companheira.

"Com base nesse material inicial, ele passou a sistematicamente coagi-las para que encaminhassem vídeos diariamente", disse o delegado ao Terra.

Após o primeiro registro, as exigências passaram a vir acompanhadas de ameaças de divulgação do material. Segundo o delegado, tanto o homem quanto a ex-companheira enviavam as mensagens, muitas vezes trocando de linhas telefônicas para tentar despistar.

"Elas sabiam que eram eles mandando as mensagens, por mais que não se identificassem e trocassem de linhas constantemente. As vítimas sabiam, até porque, da primeira vez que foram gravadas as cenas, elas estavam lá presentes e viram esse homem e a madrasta. Como as mensagens vieram logo na sequência e pela forma de escrita, elas sabiam que se tratava dessas pessoas", detalhou.

Vingança como motivação

A polícia apura se o crime tinha motivação financeira ou ligação com redes de exploração, mas a principal linha de investigação aponta para uma retaliação pessoal.

"A finalidade financeira desses crimes não foi confirmada nas investigações. A linha investigativa principal é que ele forçava essas vítimas como forma de prejudicar a mãe de uma delas". O homem foragido é pai da adolescente de 16 anos.

Fontana ainda destacou que a retaliação teria acontecido ao descobrir que a filha foi abusada pelo companheiro da mãe. O crime foi confirmado pela vítima.

"Ele divulgou esse material na loja no qual a mãe trabalhava. A mãe foi demitida, a filha foi demitida. Tudo leva a crer que ele queria prejudicar a mãe, mas prejudicando a própria filha".

O caso veio à tona em fevereiro deste ano, quando mensagens com ameaças de divulgação chegaram ao celular de uma das vítimas.

"As ameaças eram nesse sentido: 'Vou acabar com sua vida, vou divulgar que você é uma péssima mãe, que você vende conteúdo delas'", relatou Fontana.

Para aumentar o medo, os suspeitos usavam uma narrativa espiritual. "Além de toda a divulgação dos conteúdos, elas teriam esse temor adicional com base nesse plano espiritual, que essa seita poderia fazer elas".

A investigações também apontam que as vítimas foram obrigadas a gravar com um terceiro - ainda não indentificado. Com isso, não se sabe se era um menor de idade ou vítima. 

Parte do material chegou a ser compartilhado em grupos de família e até em redes sociais ligadas ao ambiente de trabalho das vítimas e da mãe. Fontana não descartou a possibilidade de o caso estar conectado a outros crimes, já que o suspeito possui antecedentes por estupro.

Os investigados respondem por coação, divulgação e armazenamento de imagens de exploração sexual, associação criminosa e ameaça.

Fonte: Redação Terra
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