Operação investiga lavagem de dinheiro em mercado de São Leopoldo
Interrogatório de trio em São Paulo faz parte da investigação de esquema milionário
A investigação sobre um mercado em São Leopoldo, utilizado como fachada para lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas, prossegue após a prisão do proprietário, Sérgio Pedro Corrêa, de 40 anos, no dia 22. Esta semana, a Polícia Civil de São Paulo interrogou três pessoas suspeitas de receber dinheiro da conta jurídica do estabelecimento.
A operação, conduzida pelas equipes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de São Leopoldo, revelou que, desde 2018, os envolvidos movimentaram mais de R$ 473 milhões na conta do mercado. O interrogatório em São Paulo, realizado em Ribeirão Preto, Matão e Guatapará, faz parte dos esforços para desmantelar o esquema. Os suspeitos, investigados por lavagem de dinheiro, permaneceram em silêncio durante o interrogatório. Mandados de busca também foram cumpridos em cinco residências.
Corrêa, detido em sua residência em São Leopoldo, foi flagrado com armas ilegais, incluindo armas furtadas e de calibre restrito. Sua prisão em flagrante foi convertida em preventiva. Ele permanece detido no Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional (Nugesp).
Além de Corrêa, outras pessoas, incluindo sua companheira, são investigadas. A companheira é considerada uma das principais suspeitas, supostamente envolvida na gestão do mercado. As autoridades aguardam laudos periciais de material extraído de computadores do estabelecimento para avançar na investigação. A operação destaca a complexidade e a extensão do esquema de lavagem de dinheiro, envolvendo altos valores financeiros e uma rede de indivíduos interligados em diferentes estados.
Contraponto
A advogada de Sérgio Pedro Corrêa, Maristela Celeste de Araújo, se manifestou por meio de nota:
"A defesa, até o momento, não teve acesso à íntegra da investigação. De modo que entende ser prematuro qualquer tipo de juízo de valor definitivo sobre as acusações que estão sendo imputados a Sérgio. Até porque, vale lembrar, todos vivemos num Estado Democrático de Direito, em que vigora o Princípio da Presunção de Inocência, ou seja, o investigado é inocente até que se prove o contrário e sobrevenha uma sentença penal condenatória transitada em julgado, oriunda de um processo penal em que haja o efetivo direito ao contraditório e à ampla defesa."