Operação Aliança Velada ataca facção, prende policiais penais e bloqueia R$ 27,8 milhões no RS
Ofensiva do MPRS, Gaeco, Brigada Militar e Polícia Penal cumpriu 30 mandados de prisão contra grupo que usava até uma ONG para lavar dinheiro do tráfico de dentro e fora das cadeias
Uma megaoperação comandada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) foi deflagrada nesta quinta-feira (11) para desarticular uma organização criminosa de alta periculosidade com forte atuação dentro e fora do sistema prisional gaúcho. Denominada Operação Aliança Velada, a ofensiva integra as ações do Grupo Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) no enfrentamento a facções.
A ação mobilizou um efetivo de 335 agentes públicos para o cumprimento de 30 mandados de prisão preventiva e 40 ordens de busca e apreensão. O Poder Judiciário determinou o bloqueio de R$ 27,8 milhões em contas bancárias, além do sequestro de 30 veículos e três imóveis pertencentes ao grupo. A base das investigações aponta que, em apenas 16 meses, a rede movimentou de forma ilícita o montante de R$ 55,7 milhões.
Infiltração em presídios e prisão de servidores públicos
A investigação apontou que o núcleo da organização criminosa operava de dentro de importantes estruturas carcerárias. Dez dos principais líderes da facção comandavam o tráfico de drogas, roubos e execuções de dentro das celas da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC) e das unidades prisionais de Uruguaiana e Itaqui.
O esquema dependia diretamente de um braço de corrupção estatal. Dois policiais penais foram alvo de mandados de prisão e afastados de suas funções públicas. De acordo com o MPRS, mediante o recebimento de propina paga pela facção, os servidores facilitavam o ingresso de aparelhos celulares e carregamentos de drogas nas galerias. Além disso, os agentes públicos funcionavam como operadores financeiros e canais de ligação direta com os criminosos que estavam nas ruas.
O passo a passo do esquema criminoso
As investigações do Gaeco, apoiadas pela Corregedoria-Geral da Polícia Penal, começaram a avançar após a análise dos dados de um telefone celular apreendido no ano passado. O fluxo da engrenagem ilícita funcionava de forma cíclica e hierarquizada:
A extração de dados de um celular apreendido em uma operação anterior revelou mensagens e comunicações em tempo real entre os líderes da facção presos e comparsas em liberdade.
Policiais penais corrompidos recebem pagamentos em dinheiro para permitir a entrada de aparelhos eletrônicos e entorpecentes nos estabelecimentos de detenção.
Utilizando a tecnologia ilegal nas celas, as lideranças gerenciam a venda de entorpecentes, coordenam roubos e ordenam homicídios na Fronteira Oeste e Região Metropolitana.
O lucro do crime é pulverizado em contas de "laranjas", movimentado por empresas de fachada e utilizado de forma dissimulada para financiar e custear as despesas de uma ONG na Fronteira Oeste.
Com o dinheiro ocultado pela compra de frotas de veículos e imóveis, os valores retornavam ao núcleo gerencial para financiar novos carregamentos de drogas e armas.
Cidades atingidas e isolamento de lideranças
O mapa da operação cobriu alvos estratégicos localizados na Fronteira Oeste, Região Metropolitana, Vale do Sinos e Região Carbonífera. As ordens judiciais de busca e prisões concentraram-se nos municípios de Uruguaiana, Itaqui, São Borja, Charqueadas, Novo Hamburgo, Triunfo, Viamão e Porto Alegre.
Como medida imediata de segurança para quebrar o fluxo de informações, dois apenados de alta periculosidade considerados peças-chave na gestão do tráfico interestadual foram transferidos e isolados na PASC. De acordo com a coordenação do GAECO, a investigação revelou um esquema muito estruturado, com hierarquia definida e forte dependência da corrupção no sistema prisional, exigindo uma resposta firme para interromper a atuação criminosa.
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