'Nunca vi nada parecido', diz funcionário sobre fila no Metrô
3 jun2011 - 10h43
(atualizado em 3/6/2011 às 14h43)
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Luciana Quierati
Direto de São Paulo
O segundo dia de greve dos funcionários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) provocou a superlotação do complexo de Itaquera, na zona leste de São Paulo, que integra as linhas ferroviárias ao Metrô e ao terminal de ônibus. Com o acesso fechado à linha da CPTM, houve grande procura por bilhetes do Metrô, causando longas filas nos guichês e na passagem pelas catracas. "Eu nunca vi nada parecido. A fila chegou até perto do shopping (Itaquera)", disse Júlio José, 21 anos, funcionário de limpeza do terminal.
Desde as primeiras horas da manhã, o movimento foi intenso na estação de Itaquera. As filas permaneceram longas até por volta das 9h30. Houve quem desistisse de enfrentar as filas, como foi o caso de um grupo de atendentes de telemarketing, que trabalham em uma empresa no bairro da Lapa. Elas começaram a chegar à estação do Metrô por volta das 6h, mas acabaram optando por esperar um ônibus fretado que a empresa, no dia anterior, havia oferecido aos funcionários.
Entretanto, pouco antes das 9h, veio a notícia de que o ônibus fretado não estaria disponível, e que elas teriam que enfrentar o Metrô lotado. "Eu tinha que entrar às 9h30, mas vou chegar bem atrasada. Ainda mais porque tenho que pegar um ônibus até a Lapa, depois que descer do Metrô", disse Letícia Lima, 24 anos, moradora de Itaquera.
Jorge Silva, 46 anos, divertiu quem aguardava na fila com suas imitações do Seu Madruga, famoso personagem do programa de TV mexicano Chaves. Vestido a caráter, Silva jogava seu chapéu no chão e repetia frases e trejeitos do personagem, levando os usuários às gargalhadas. "O povo merece uma alegria, depois de ficar nessa fila", disse Silva, que mora em Itaquera e pretendia ir até o centro.
Comerciantes comemoram
Apesar dos grandes transtornos enfrentados pelos usuários da estação, os comerciantes que trabalham em Itaquera celebraram o aumento nas vendas. Dono de uma banca de salgados e sucos na estação, Luis Carlos Gomes afirma que o movimento foi mais intenso entre 6h30 e 9h. "Hoje, eles tiveram um motivo a mais para comprar, porque tiveram que ficar esperando as filas diminuírem. Para mim, foi ótimo. Aumentou muito o fluxo", disse.
Gerente de uma loja de confecção, Wladimir Souza Barros estima que houve um aumento de 70% nas vendas nesta manhã. Segundo ele, o motivo é que a loja atrai, principalmente, clientes de ocasião, que se interessam pelos produtos ao passar em frente ao estabelecimento. "O pessoal hoje não teve para onde correr, e aí entrou na loja e comprou", comemora.
Zenaide Maria da Silva, 34 anos, trabalha em uma cabine de venda de recargas para celular e cartões telefônicos. Ela disse que atendeu o dobro de pessoas nesta manhã - cerca de 500 pessoas no horário das 5h40 às 9h, pelos cálculos da vendedora. A maioria dos clientes, segundo Zenaide, tentava telefonar para seus chefes e explicar os motivos do atraso.
A vendedora afirmou ainda que teve alguns dos cartões telefônicos esgotados e faltou, até mesmo, dinheiro para o troco. "Tive que pegar do meu bolso para dar troco às pessoas", disse.
Uma das clientes de Zenaide foi Silvia Maria de Lima Antonio, 30 anos, atendente de uma loja no Brás. Ela afirmou que só comprou crédito porque tinha que avisar seus chefes. "Ia esperar o dia 5 para colocar crédito, mas tive que gastar o dinheiro que estava guardado. E ainda por cima tive que colocar R$ 5 a mais, porque a moça não tinha troco", disse.
Usuários enfrentam dificuldades em acesso à estação Corinthians/Itaquera