0

'Nos restam só 200 euros e estamos à procura de trabalho', diz brasileira em Portugal

Falta de emprego e custo de vida estão entre os principais problemas dos imigrantes no país

14 jul 2019
03h12
  • separator
  • comentários

LISBOA - O número de brasileiros barrados em Portugal está em alta, segundo o Serviço de Fronteiras (SEF) -, mas precisa ser relativizado. O número de detidos saltou de 300 em 2013 para 2.865 no ano passado, um acréscimo de 855%. Mas foi recusada a entrada só de 0,2% do total. Os principais fundamentos foram: ausência de motivos que justificassem a entrada e ausência de visto adequado ou documento caducado.

"Meu companheiro entrou como turista e deu tudo certo, já chegou com trabalho. A gente juntou dinheiro e eu fui em abril. Mas me barraram na imigração", conta Yelre Felipe, de 23 anos, que morava em Anápolis (GO). "Só depois que voltei para o Brasil que percebi o que aconteceu: a agência de viagens reservou um hotel em Ericeira, mas eu disse para o agente que estava indo para Lisboa." Dois meses depois, ele entrou em Portugal, via Paris.

Mas há ainda os que conseguem entrar no país, mas não conseguem ficar. Conforme dados oficiais, o número de imigrantes que voltaram ao Brasil com ajuda do Programa de Retorno Voluntário, da agência de migração da Organização das Nações Unidas (ONU), também cresceu. O número passou de 52 em 2016 para 232 em 2017 e chegou a 353 no ano passado. A falta de emprego e o custo de vida estão entre os principais problemas.

Além disso, como no Brasil, não se está livre de golpes nessa área. "Chegamos em Portugal no fim do mês passado, eu, esposo e dois filhos: uma menina de 4 anos e um menino de 13 anos. Comprei passagens de ida e volta e a reserva do hotel com uma agência do Porto, indicada por um pastor", conta uma auxiliar administrativa de 34 anos, de Vitória, que pediu para não ser identificada.

"Quando chegamos à imigração, o policial nos informou que as passagens de volta haviam sido canceladas e não havia reserva em meu nome." Com o gasto de R$ 10 mil com um advogado, conseguiram sair, mas não sabem o que fazer agora. "Compramos comida, arranjamos uma casa e o que nos resta são €200. Agora estamos à procura de trabalho."

Clandestino

E se nos números oficiais a comunidade brasileira já é grande, na vida real ela é bem maior. "As estatísticas do SEF não incluem quem tem dupla nacionalidade, ou quem está em situação irregular", diz Cyntia.

Mas há os que nem se preocupam com isso, como Jonhy Jonhatan, de 22 anos, um "faz-tudo" que saiu do Paraná para Amadora, na área metropolitana de Lisboa, há oito meses, e hoje trabalha com um amigo fazendo esculturas de areia na praia, sem pensar em se regularizar. "Não me preocupo com isso agora. Apesar de tudo, não penso em voltar para o Brasil."

Estadão
  • separator
  • comentários
publicidade