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'Ninho de celulares roubados' e prejuízo alto: como e onde age a ‘gangue do quebra-vidro’ em São Paulo

Criminosos se utilizam de locais com congestionamento para conseguir roubar celulares de dentro dos carros

31 mar 2026 - 04h57
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Vídeo flagra criminosos cercando e quebrando vidro de carro na Marginal Pinheiros (SP):

"O carro nem tinha parado ainda, eu não costumo mexer no celular ainda mais nesse tipo de lugar, eu tava literalmente há 2 minutos de chegar no destino. Eu peguei o celular, na altura do colo, quase entre as pernas, avisando a pessoa que eu estava chegando. Nisso, veio esse barulho, foi surreal. É muito violento, muito mesmo”, esse é o depoimento de Ana**, de 38 anos. A esteticista foi uma das vítimas da ‘gangue do quebra-vidro’, como ficou conhecida a quadrilha que vem espalhando medo pelas ruas de São Paulo. 

Em depoimento ao Terra, ela contou que o roubo ocorreu no dia 7 de fevereiro. Era um sábado, quando ela pegou um carro de aplicativo para encontrar um parente na Ricardo Jafet, no Ipiranga, na Zona Leste, para descer para Santos (SP). Próximo ao viaduto Alcântara Machado, na Mooca, é que o crime ocorreu. 

Segundo Ana, o criminoso estourou o vidro com uma “porrada”, que pegou próximo aos seus olhos e jogou seu óculos longe. A esteticista teve, além do prejuízo material de R$ 6 mil do celular, que ainda está pagando, um corte na mão e um machucado no nariz. Ela conta que chegou a pensar em fugir do carro, com medo que o bandido tentasse algo mais. 

“Eu vi o rapaz parado, do lado do vidro, do lado da porta, eu vi o braço dele. Fiquei com medo, já que ele não tinha sido rápido, de pegar o celular e sair, eu fiquei com medo que ele fosse fazer outra coisa,  msequestrar". O banco traseiro do veículo ficou forrado de vidro. 

Criminosos utilizam do congestionamento para abordar veículos e roubar celulares
Criminosos utilizam do congestionamento para abordar veículos e roubar celulares
Foto: Reprodução/TV Globo

A jornalista Bianca Oliveira passou por uma situação semelhante dias depois, em 11 de fevereiro. Ela estava saindo da academia por volta das 20h30, e quando a motorista de aplicativo parou no semáforo próximo ao Parque Augusta, na Consolação, na região central da capital paulista, foi abordada por um criminoso. 

“Foi muito rápido, coisa de menos de 10 segundos. Ele quebrou o vidro e pegou meu celular correndo, só que uma coisa que me marcou muito é que ele ficou rindo. Ele quebrou o vidro e começou a gargalhar muito alto, eu me assustei e ele saiu rindo”, relembra. 

Assim como no caso de Ana, o vidro caiu por cima de Bianca e a cortou. O prejuízo material foi “pequeno” perto do que poderia ter sido, já que ela tinha seguro e conseguiu um novo aparelho logo depois. O maior dano foi o psicológico. “Foi bem traumatizante. Eu passei quase uma semana com medo de tudo e sem sair de casa. Sensação de insegurança total”, destaca. 

Onde agem e em quais horários?

O ataques tem basicamente o mesmo modus operandi: os criminosos se aproximam do veículo à pé, de bicicleta ou de moto, estouram o vidro e pegam o celular rapidamente. Depois, seguem para o sentido oposto, mas que as vítimas não tenham chance de recuperar os aparelhos. 

Em outubro, a Polícia Civil emitiu um alerta para celulares que foram furtados ou roubados em SP e foram ativados por outras pessoas
Em outubro, a Polícia Civil emitiu um alerta para celulares que foram furtados ou roubados em SP e foram ativados por outras pessoas
Foto: Divulgação/SSP

À reportagem, o coronel da Polícia Militar e coordenador operacional, Carlos Henrique Lucena Folha, afirmou que a corporação fez um mapeamento e conseguiu levantar que o chamado roubo ‘quebra-vidro’ está relacionado diretamente ao congestionamento, pois facilita o deslocamento dos criminosos por entre os carros com pouco risco de atropelamento, por exemplo. A maior incidência é no horário noturno, principalmente por volta das 19h. 

“Através desse mapeamento, nós conseguimos alocar os nossos recursos materiais, humanos e tecnológicos onde e quando mais precisa”, esclarece. Inclusive, é por isso que fica difícil precisar qual a maior região de incidência desses casos. Coronel Lucena explica que esses locais mudam com frequência a partir do momento em que novas equipes são direcionadas. 

“No congestionamento, a moto [da PM] é importante no corredor. Só que no cruzamento é bom o policiamento fixo. E a câmera, tanto a fixa como do drone, dá uma consciência mais espacial”, aponta. 

O coronel explica ainda que esse tipo de crime é enquadrado como ‘roubo outro’ e pelo levantamento da PM, houve uma redução de 18,4% neste primeiro bimestre em comparação ao mesmo período de 2025. “E os indicadores criminais de março também apontam quieta. Mas, enquanto tiver incidência, nós vamos continuar sempre aprimorando para diminuir cada vez mais”, declara. 

Geralmente, após os crimes, os aparelhos já tem destino certo: o “ninho de celulares roubados”, que ganhou até localização no Google Maps, tamanha a recorrência. O local fica na Rua Aurora, juntamente com a Rua dos Guianases, considerado um dos epicentros da receptação de celulares roubados e furtados em São Paulo. 

Questionada sobre essas questões, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que as forças de segurança intensificaram as ações de combate aos crimes conhecidos como “quebra-vidro” na capital paulista, com operações contínuas e reforço do policiamento em vias de grande circulação. 

“Desde 2023, a operação já resultou em mais de 50 mil prisões em todo o Estado, além da apreensão de armas e da intensificação da fiscalização de veículos”, afirmou a pasta ao esclarecer que as ações são realizadas pelas Comandos de Policiamento Metropolitano, de Choque, de Aviação e de Trânsito, com apoio Polícia Civil na identificação e responsabilização dos envolvidos. 

*Nome fictício para preservar a identidade da vítima

Fonte: Portal Terra
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